quarta-feira, 30 de julho de 2008

SOLIDÃO A DOIS >> Carla Dias >>

Aluguei este filme há muitos anos. Depois de assisti-lo, insisti com a atendente da locadora de vídeos, e ela fez o pedido dele pra mim. Naquela época, comprar filmes não era fácil, tampouco barato. Mas eu tinha de ter aquele em casa, porque a música era demais e o filme... Bom, o filme.

No final de semana, assisti ao tal filme na tevê a cabo. Ainda o tenho, mas em VHS, e isso quer dizer que não o assisto há outros bons anos. Havia me esquecido do motivo de tê-lo comprado e assistido tantas vezes que perdi a conta. As madrugadas eram os melhores cenários para embarcar nesta jornada. E o filme me acompanhou em muitas delas.

A música tema é do Terence Tren’t D’Arby (hoje Sananda Maitreya), apesar de um dos personagens se engraçar com o outro cantando uma música tradicional americana, que tem o mesmo título que o filme. Enfim, tornei-me fã do Terence, a partir daí. Comprei vários CDs, conheci a história, e a música dele também me acompanhou por muitas madrugadas... Impressionante como as madrugadas me inspiram às descobertas.

Aí vai uma das minhas preferidas... Não é a música tema do filme, mas é uma das que venho cantarolando (desafinadamente) há muitos anos.





Confesso que, mais do que a sinopse, o que me atraiu no filme Frankie & Johnny, a ponto de levá-lo para casa e assisti-lo pela primeira vez, foram os atores: Al Pacino e Michelle Pfeiffer. São eles os protagonistas dessa história que trata, com sutileza, da condição dos solitários... De como é difícil sair dessa condição e atrever-se a deixar que outra pessoa entre e nos faça companhia.

Muito do roteiro é tão próximo à realidade comum aos solitários que a graça do filme, definido como comédia, drama e romance - que também fazem parte do roteiro das nossas vidas -, está nos detalhes: a moça que compra um vídeo-cassete para espantar as noites que passa sozinha, que tem um amigo gay que a ajuda com os problemas de casa e também os emocionais. A senhora que morre e quase ninguém vai ao funeral; o homem que é preso e tem de recomeçar a vida, restabelecer o contato com os seus. A mulher que espera pelo homem ideal, e aquela da qual cobram casamento e filhos.

Frankie (Michelle Pfeiffer) e Johnny (Al Pacino) são pessoas sem qualquer glamour. Ele consegue um emprego de cozinheiro na lanchonete onde ela é garçonete, e o interesse é mútuo e imediato, mas há um caminho árduo a ser trilhado. Os companheiros da lanchonete e os acontecimentos cotidianos creditam ao filme uma veracidade quase palpável. Neste filme, os solitários se reconhecessem, assim como os amigos.

Frankie & Johnny é um filme honesto, que fala de maneira simples sobre sentimentos complexos; analisa com suavidade a condição daqueles que vivem em grandes cidades; que mesmo caminhando entre a multidão, voltam para casa sozinhos.

Este é um daqueles filmes que devem ficar por perto, feito livro de cabeceira. É bom revê-lo, saboreá-lo, interpretá-lo ao tom do momento.

Frank & Johnny foi dirigo por Garry Marshall, também diretor de outros filmes dos quais gosto muito, entre eles Um presente para Helen (Raising Helen) e Simples como amar (The Other Sister). Para situar os mais curiosos, ele também foi diretor de Uma Linda Mulher (Pretty Woman). Terrence McNally é autor da peça que inspirou o filme, Frankie and Johnny In The Clair De Lune, e também o roteirista do filme.

www.carladias.com




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3 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, você e essa sua capacidade de me fazer ter vontade de ir imediatamente a uma locadora... :)

Marisa Nascimento disse...

Carla, serei repetitiva se disser que você é uma enciclopédia ambulante de cultura e arte? :)

Wellington Oliveira ( MOSSAD) disse...

Com certeza um filme intrigantemente belo...