sábado, 8 de dezembro de 2007

DEZEMBROS [Mariana Monici]


Nunca mais a natureza da manhã / E a beleza no artifício da cidade / Os meus olhos têm a fome do horizonte / Sua face é um espelho sem promessa
Por dezembros atravesso / Oceanos e desertos / Vendo a morte assim tão perto /
Minha vida em suas mãos.
(Zeca Baleiro)

O que mais se lê este mês são crônicas e reflexões sobre este mês... todas fazendo um balanço do ano que finda e das expectativas para o próximo ano. Uns juram que não têm expectativas, que vivem um dia após o outro. Outros prometem mundos e fundos para que venha aquilo que querem e acham mais que justo. Alguns se planejam para pular sete ondas dia 31, com sei lá quantos pedidos, comer não sei quantas romãs, dar um beijo exatamente à meia noite, e todos os santos só ficam olhando, rindo ou indignados, talvez reflexivos sobre atender os pedidos todos.

Acho que é só um jeito de simbolizar. Acredito que o Ano Novo começa todo dia. Sei lá, todo mundo (que é muita gente), acha que a mudança do calendário, o engavetamento da agenda, a roupa nova e branca, o Natal, o Papai Noel... isto tudo vai mudar a vida. Acho que poucos se dão conta de que a roupa nova deve ser vestida por dentro e não por fora.

Eu, particularmente, colocaria 2007 suspenso num universo paralelo, que eu alcançasse só quando quisesse muito, e que ele não ficasse me jogando na cara o tempo todo o quanto ele está pra lá de Marrakesh, sabe? Já ficou velho quando começou, lá por janeiro. Vejo perto a morte do ano - o do calendário, pois meu ano interno não vai morrer tão facilmente, já que mudou minha vida de novo, tirou tudo do lugar, me obrigando a aprender um monte de coisas, sem pedir licença menos ainda desculpa, este 2007. Há quem diga que bom mesmo são anos pares, com seus Dezembros igualmente pares – Par é sempre melhor, acho eu. Aprender o que quer que seja também é bom, e os sonhos se mantiveram intactos. Então, já que é inevitável pego este Dezembro, e faço dele também o balanço. Fico feliz porque nele, e hoje é só dia 8, têm acontecido muitas coisas boas.

Dezembro não é fácil... Uma melancolia permanente, parece que as pessoas se escondem de costas, olhando vitrines e dando as costas pra este Dezembro que teima em ter 31 dias (por que não troca com fevereiro?!). Melancólico e bonito. Ele é mais que o 13º, que roupas e pares de sapatos pra combinarem, que laços de fita, brinquedos e a enorme roupa de cetim vermelho amarrada com um cintão preto, acompanhada de uma risada engraçada e acolhedora, que aos meus olhos parece um tanto cindida. Nada contra o bom velhinho, adoro! Não é pessoal, mas vamos combinar que Dezembro não está lá pra muito Ho Ho Ho, não é mesmo? Quem sabe na Páscoa?! Vida e morte.

Tanta confusão neste país nada sustentável, nestas cidades todas, que a vida do velhinho está mais do que atribulada para atender todos os pedidos. Aposto que anda mandando currículos e fazendo entrevistas em consultorias de recolocação, pleiteando vagas já preenchidas. Na última, foi desclassificado por não ter grandes orelhas e pelo branquinho. Reflete sobre novos cursos para mudar de área, mas qual pode ser mais promissora?

Dezembro está aí, e em poucos dias estará lá, no passado. Que os balanços sejam positivos e que o peru seja light, para que Janeiro não seja à sombra.

Outras Cenas

Imagem: Tim Pannell

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