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TEMPO, MANO VELHO>> Analu Faria

Se me perguntassem hoje o que eu mais quero ter, certamente "tempo" ficaria entre os meus top 5 desejos de mulher urbana. Minha última crônica foi sobre como ter tempo faz diferença para nossa qualidade de vida. Com tempo arranja-se algum dinheiro, diverte-se, estuda-se, conhece-se, ama-se, goza-se, não necessariamente nessa ordem, mas de forma mais completa. Se fosse vendido, o tempo seria um dos artigos mais caros das lojas de grife da Champs-Élysées. Deus sabe que eu daria meus pulos para comprá-lo. 

O problema é que o tempo é terrivelmente gratuito. Na sua distribuição, aliás, está a grande generosidade e a grande maldição do Universo sobre nós, humanos:  todos temos 24 horas para gastar, independente de nossas capacidades, malgrado nossas necessidades. (O tempo não é nada marxista!*)  Desconfio que é por isso que o tempo é tão sábio: quem sou eu para achar que preciso de mais tempo que meu vizinho? Que coisas eu preciso fazer que meus pares também não precisam, com o tempo de um dia? Deus também sabe que eu daria um belo jeito de responder a essas perguntas de forma a convencê-Lo a me dar mais umas horinhas além das 24...

E se é assim, talvez o meu problema, e o de todos muito muito urbanamente ocupados, muito ávidos por mais - mais coisas que saber, mais atividades no currículo, mais grupos de que fazer parte - cada dia mais cansados e cada dia mais insaciáveis, não seja exatamente o tempo.

*"De cada qual, segundo sua capacidade, a cada qual, segundo suas necessidades". Frase comumente atribuída a Karl Marx.

Comentários

Albir disse…
Que reflexão interessante, Analu! O tempo falta, o tempo sobra, ele só não satisfaz.