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CONSTRANGIMENTOS NÃO MUITO LEGAIS
>> Zoraya Cesar

Situações constrangedoras fazem parte da vida. Saber sair delas com classe é uma arte que nem todos dominam. Algumas das mais difíceis talvez sejam as que envolvem encontros romântico-sexuais.

As histórias a seguir são verdadeiras e poderiam ter acontecido com você. Oh, desculpe, com você, jamais — talvez com um amigo, uma conhecida, a prima do cunhado de sua tia-avó. Ou algo assim.


O Gato francês

Ele era lindo, e tinha sotaque francês. Parecia um anúncio de cinema, quase um Alain Delon. Quase, porque Alain Delon é único. Era cobiçadíssimo por todas as mulheres da empresa. 

Uma noite, durante uma happy hour do grupo, Lila se vê agarrada pelo Fulano Francês, aos beijos e abraços pegajosos e cada vez mais promissores. Ela vai ao banheiro, alvoroçada, as amigas atrás. Mulheres no banheiro, sabe como é. Não sabe? Dou uma ideia, sem revelar os segredos da confraria. O banheiro passa a ser uma gaiola cheia de maritacas entusiasmadas em ajudar a amiga a ter uma noite inesquecível. Ajeita o vestido, usa o meu batom, pega esses lenços umedecidos (se você não sabe para que servem, eu não vou dizer), leva umas balinhas de hortelã... Lila passou por uma fast glamour session, como só mulheres sabem fazer, e saiu esplendorosa para o encontro. Representaria todas as mulheres da empresa, a primeira a sair com o Fulano Francês para um motel, não podia fazer feio, para ter como contar todos os detalhes depois (e você pensando que só os homens fazem isso, hein?).

Lila estava elétrica de desejo. O homem era lindo, beijava bem, pegava bem, devia ser um deus na cama. 

Chegaram ao motel. Tiraram a roupa. No quarto é que, um pouco mais calma — e um pouco menos bêbada — Lila notou uma sacola em cima da mesa. Vocês sabem que mulher é bicho curioso, não importa a situação, não mesmo? Andando nua pelo quarto, fazendo o Fulano Francês babar de desejo, foi até a misteriosa sacola, ver o que tinha dentro.

— Uau, você comprou um monte de cuecas, todas brancas — espantou-se.

— Sim — respondeu ele — só uso cueca branca, que é pra saber quando está na hora de trocar...


O cachorro-quente

Homens acham, com perdão da palavra chula, um saco levar a mulher pra jantar e ela ficar de nojinhos, não posso isso, aquilo engorda, me dá uma saladinha de alface. Sair pra jantar é sair pra comer, oras, e não ficar de entojos. E há uma crença atávica nos homens que, se a mulher é boa de garfo, é boa também de cama. Não me perguntem de onde veio isso, não tenho a mínima ideia.

Marilise estava a par dessa particularidade. Por isso, quando finalmente conseguiu sair com Carlinhos, não se fez de rogada. Sabia que, depois do jantar iriam ao motel pela primeira vez. E a primeira vez, Marilise sabia bem, era fundamental.

O restaurante era desses indianos pós-modernos. Querendo impressionar e mostrar que era boa de garfo, ela pediu um cachorro-quente com pimenta vermelha, chili e açafrão, acompanhado por salada de brócolis. Tudo bem pra você?

Ao chegarem ao motel, Marilise já sentia os primeiros sintomas de uma revolução intestinal. Suando frio, desvencilhou-se do abraço de Carlinhos com um riso nervoso e a clássica frase que toda mulher, mas toda mesmo, já pronunciou: “preciso ir ao banheiro antes”. 

E para lá correu, na hora exata. Mais um micronésimo de segundo e o desarranjo intestinal ter-se-ia esvaído ali, no tapete do quarto. Os minutos foram longos e dolorosos. Carlinhos bateu à porta, perguntando se estava tudo bem. Não, cretino idiota, pensava ela em cólicas, é claro que não está nada bem. Depois da diarreia, a segunda parte do pesadelo: a descarga era fraca, não dava conta de todo aquele esgoto despejado no vaso. Terceira parte do pesadelo: o cheiro nauseabundo que empesteava o ar. Que azar, chorava ela, logo na primeira noite. Não podia deixar Carlinhos entrar no banheiro, de jeito nenhum.

No entanto, depois de tanto tempo esperando, Carlinhos sentiu necessidade de esvaziar a bexiga. E homem quando está com vontade de fazer xixi não consegue levantar o ‘companheiro’, por mais boazuda que seja a mulher. 

Ele entrou. Entrou, quase desmaiou, e saiu, dizendo que era melhor deixarem pra outra noite. Só que Marilise não estava mais no quarto.


Próximas

Um dia eu conto o caso da mulher que soltou um pum barulhento e fedido no meio do primeiro jantar que teve com a sogra; do sujeito que levou a camisinha usada — mas lavada! — pra não jogar fora e contaminar o meio ambiente; do cara que tinha um mau hálito tão podre que... Depois eu conto.

Comentários

Ana Luzia disse…
nossa, que situação! ou melhor, que situações... os piores pesadelos de uma pessoa... deus me livre e guarde de tal destino, rs...

beijos.
Anônimo disse…
As mulheres estão "escolhendo" muito, e é por isso que acabam ficando sozinhas. E ainda tem que dar graças a Deus de o cara não ser gay, como diz a sabedoria popular, "Deus nunca dá tudo para um homem só, se ele é muito bonito, as possibilidades de ser gay são enormes", hahaha...
Anônimo disse…
Gostei da dica da cueca branca, vou adotar!!!
Anônimo disse…
Alguém aí pode me dizer para que servem os tais lencinhos umedecidos???
sergio geia disse…
Rindo até agora, Zoraya... Muito boa. E verdadeiras. Deus do céu...
Erica disse…
O celular apagou todo meu comentário antes de eu publicar. Himpf
Depois conte as outras mesmo. :)
aretuza disse…
pode ser a história de um pum assassino e ter o Felipe Espada, não? Adoro o Felipe Espada!
Erica disse…
Não sei se rio mais da cronica ou dos comentários. Zoraya, vc instigou o espírito cômico de todos rs Fiquei esperando vc contar as outras histórias.. maldade sua... humpf! rs
albir silva disse…
Eficaz e torturante essa sua técnica de "cenas dos próximos capítulos".

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