Pular para o conteúdo principal

AUTORRETRATO OU SELFIE?? >> Clara Braga

Lembro de ter estudado sobre o tal do selfie na faculdade. Não exatamente o selfie, até porque na minha época ele tinha outro nome, era autorretrato, mas o princípio parece ser o mesmo. Mas é só o princípio que parece, pois os fins são bem diferentes. Na minha opinião, até o nome autorretrato é mais poético, selfie soa algo um tanto egoísta, mas pode-se dizer que a carapuça serviu.

Lembro de uma professora falar sobre o autorretrato. Resumindo por alto, é mais ou menos a técnica de se autopintar ou fotografar, enfim, se autorretratar dentro de um contexto significativo para você. Ou seja, o autorretrato está ligado à subjetividade, já que o que é significativo para você não necessariamente é significativo para os outros, está relacionado aos sentimentos. E é exatamente nesse ponto que eu me pergunto, onde foi parar o sentimento dos autorretratos?

Frida Kahlo foi uma grande pintora que criou uma quantidade enorme de autorretratos. Agora eu pergunto, você consegue imaginar a Frida sentada com seu cavalete em frente ao café em Sidney, pintando um quadro enquanto o tiroteio rola solto dentro do café? Enquanto várias pessoas são mantidas como reféns, duas acabam mortas, outras tantas feridas, Frida mistura um pouco mais de preto na cor vermelha, pois o vermelho claro não representa a dramaticidade do momento de forma eficaz! Soa bizarro né? Alguns ainda dirão, soa bizarro pois ninguém anda na rua com um cavalete na mão esperando um bom momento para pintar um quadro. Será que ninguém consegue perceber que a bizarrice da atitude é a mesma independente da técnica?

Não tem a menor graça fazer parte de uma tragédia, não tem a menor graça não ter coração suficiente para se compadecer da dor dos outros e não é tranquilo fazer uma selfie só porque o seu smartphone é tão rápido que ninguém nem vai perceber que você fez a tal da foto. Depois ela vai cair nas redes sociais e todos vão achar você uma pessoa sem a menor noção, e quem não achar é porque é tão sem noção quanto você. 

Definitivamente, os smartphones estão ficando cada vez mais smart, e deixando o povo cada vez mais burro. 

Comentários

Anônimo disse…
Os selfies viraram banais e uma mania boba principalmente em casos como estes.Acho que alguns seres humanos estao ficando cada vez mais sem nocoes do que nunca.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …