terça-feira, 4 de novembro de 2014

SÓ PARA QUEM ENTENDE >> Clara Braga

Fui uma dessas adolescentes que idolatram um artista ou uma banda. Tinha pastas repletas de revistas com todas as matérias que saíam sobre a banda que eu gostava, sabia a cor predileta dos artistas, quanto eles calçavam, decorava o que gostavam de comer e essas coisas que a gente fazia ao invés de fazer o dever de casa e ainda tinha coragem de dizer pro professor no dia seguinte que não tinha feito porque não tinha tido tempo.

Cresci, e nem por isso deixei de ter os meus ídolos. Claro, hoje em dia a vida exige um pouco mais de bom senso na hora de expressar isso, mas existem certos momentos que só quem tem um ídolo entende que, apesar de pequenos, significam muito.

Nunca vou esquecer quando decidi fazer, de trabalho final de uma disciplina da faculdade, fotografias que ilustravam o livro Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento, da Adriana Falcão (sim, minha escritora predileta)! Hoje em dia, quando vejo o trabalho que fiz, agradeço aos meus professores pelo incentivo que fez com que meus trabalhos melhorassem. Não que o trabalho seja ruim, mas também não é tão bom assim.

Tempos depois, mas não tempo o suficiente para entender que aquele não era um trabalho tão bom, decidi ser um pouco adolescente e enviei algumas fotos para o e-mail da Adriana Falcão. Menti para mim mesma dizendo que não esperava uma resposta, queria apenas que ela visse as fotos, mas isso era o mesmo que dizer que eu decorava o que os Hanson gostavam de comer só por decorar, e não porque esperava um dia ter a oportunidade de ir jantar com eles.

Para a minha surpresa, exatamente no dia seguinte, recebi este e-mail:

Clara, querida,
O seu trabalho é lindo e que orgulho me deu.
Você é o máxino.
Já comecei o dia feliz.
Mil beijos
Adriana

Lembro que na hora que vi não tinha ninguém por perto com quem eu pudesse compartilhar a alegria que senti ao ler a resposta dela, mas foi melhor assim, afinal, eu confesso que chorei um pouco enquanto relia esse pequeno texto eternamente! Hoje, alguns anos depois, ainda me emociono ao ver esse email, como me emociono ao ler seus livros, mas também tenho um pouco de vergonha, pois só eu sei o quão delicada ela foi ao dizer que aquele trabalho era lindo!

Agora estou eu aqui, relembrando esse momento enquanto aguardo, ansiosamente, a chegada da minha mais nova aquisição, o novo livro dela! Acho que melhor do que isso é só ler ela dizendo que eu sou o máxino, que com certeza é melhor do que ser o máximo quando vem de quem veio!



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