quinta-feira, 27 de novembro de 2014

QUE VENHAM AS SEGUNDAS IMPRESSÕES >> Mariana Scherma

2014 mal apontou na reta dos boxes e eu já fiz minha resolução para o ano que vem, que, na verdade, começou esses dias atrás. Nunca mais julgo ninguém à primeira vista. E esse definitivamente não é daquele tipo “nunca diga nunca”, é nunca mais mesmo. Tirar conclusões precipitadas sobre quem a gente mal conhece é a maior perda de tempo.

Vez ou outra, eu considero alguém antipático pelos critérios mais diversos: falta de um oi, falta de um sorriso, falta de mostrar os dentes no sorriso ou ainda me deixo levar pelas opiniões dos conhecidos. “Nossa, o Fulano tem mania de limpeza”. Ai, credo e cruz, não quero ser amiga de alguém fresco assim... Como se a questão limpeza influenciasse na amizade e na honestidade de alguém. Sem contar que as pessoas podem não mostrar os dentes ao sorrir porque acabaram de comer. Ou então não sorriem porque estão enfrentando seu pior dia do ano. A gente perde muito ao julgar. É muito mais frequente eu me encantar por alguém que, antes, julgava ser nada a ver do que me desencantar (não que os desencantos não aconteçam, fazem parte, ué).

Embora não mais julgar não seja garantia de que a gente não vai ser julgada, eu adoraria que as pessoas não criassem ilusões sobre mim à primeira vista. Conversando com uma conhecida dia desses, eu ouvi um sonoro:
_ Com essa cara de santa? Sério que você já fez isso?
E foi aí que pensei no quanto as primeiras impressões são mentirosas. Eu posso até ter cara de boazinha, mas devo estar bem lá para o final da lista de pessoas comuns a serem canonizadas. Não sou santa nem quero ser. Dá muito trabalho ser certinho o tempo todo.

Quando a gente julga, deixa escapar o fator surpresa, importantíssimo pra fazer a vida ter mais graça. Provavelmente, já fechei minha janela imaginária para um monte de supostas metidas, possíveis galinhas-demolidores-de-coração, fulanas muito maquiadas e (vai saber!)superficiais, pessoas que escrevem com certeza junto e com n, gente que lê auto-ajuda, anunciadores de banalidades no Facebook (“tá chovendo”, “tá calor”...). Quantas vezes nos esquecemos que ninguém é 100% chato ou sei lá qual defeito?


Eu cansei desse meu lado arrogantezinho. Vou me deixar surpreender pelas pessoas. E se alguém cruzar o meu caminho escrevendo concerteza, vou corrigir (porque eu não conseguiria deixar isso passar), mas não vou fechar a porta, não. Eu poderia terminar o texto dizendo que gente nunca sabe o que está perdendo, mas prefiro pensar que a gente mal sabe o que pode ganhar. É mais otimista. 


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