quinta-feira, 2 de outubro de 2014

VAI, PLANETA! >> Mariana Scherma

As chuvas aqui no sudeste estão com tudo. O nível do reservatório da minha cidade está saudável e seca, agora, só mesmo nos telejornais, quando todo aquele refrão de economize água se perdeu. Tchau, uso racional de água, e até o inverno que vem. Faz parte. Pra mim, esse assunto não morreu. Minha mãe adora me chamar de a-patrulha-de-uma-pessoa-só. Até gosto, mas é muito solitário.

Até agora, não consigo ver uma pessoa maltratando o meio ambiente e seguir como se nada tivesse acontecido. Lavar calçada, carro, jogar lixo no chão, arrancar flor do jardim alheio... Eu sempre tenho um puxão de orelha pra passar a essas pessoas. É mais forte que eu. Lembra aquele desenho do Capitão Planeta? Pois é, sou possuída pelo espírito dele. Já chamei atenção de senhora lavando calçadas (umas vááárias vezes), de gente jogando chiclete no chão, de sem noção jogando bituca de cigarro, de fulana no banheiro da academia ligando todos os chuveiros por uns dez minutos até a água esquentar. Alô, mundo! Até meu pai já foi vítima da minha ira desperdiçando água. Reeduquei o papi e acho possível todo mundo, pouco importa a idade, ser ensinado de que não se desperdiça natureza.

Toda vez que conto que chamo a atenção de alguém, meu pai sai dizendo que eu espalho amizade por onde passo, que arrumo mais e mais seguidores nas redes sociais, ironicamente, claro. Mas sinceridade? Não quero fazer amizade com quem lava a calçada, é de uma falta de inteligência absurda, dali a dez minutos a calçada vai estar suja outra vez. Por que esse fulano não tira o sapato ao entrar em casa. É prático e poupa o meio ambiente. Tampouco quero virar colega de quem joga lixo na rua. A rua é de todo mundo, então, você joga sujeira na sua casa? Pretendo passar longe da amizade de quem emporcalha banheiro coletivo e por aí vai. Acredito que amizade sempre é bom, mas prefiro os amigos que conhecem a palavra respeito. Simples assim.


A tarefa de reeducar as pessoas é um pouco solitária, cansativa e com certeza não devo mudar o mundo. Mas se eu fizer a pessoa em quem dei bronca pensar duas vezes sobre seus atos, já me dou por satisfeita. Eu, sozinha, não devo tornar as ruas brasileiras como as da Suíça. Mesmo porque, o brasileiro genérico cresce sabendo que aqui toda a natureza é farta e acha que tudo bem dar uma abusadinha. Não, nada de tudo bem. Natureza também se esgota. Assim como minha paciência ao ver uma atitude desrespeitosa com todos nós. A gente também faz parte do meio ambiente: eu, você e até a senhora que lava calçada.


Partilhar

Um comentário:

Anônimo disse...

Plausível o ponto de vista que retrata sobre como os brasileiros estão agindo diante de situações que exigem demonstrar quão moralmente limpo você deixa-se ser(tanto a pessoa em si,quanto o local vivenciado por tal)... notável a maneira como se expressa diante destas eximias cronicas...