quinta-feira, 20 de março de 2014

OS EX-AMIGOS >> Mariana Scherma

Porque as pessoas mudam, porque o mundo dá voltas numa quantidade suficiente pra deixar a gente com tontura e porque sentimentos não são estáticos. É por isso que eu acredito que as amizades não são eternas. Se nem casamento, com juras perante a padres e juízes de paz, é forever and ever, que dirá as amizades, que, se possuem algum tipo de juramento, muitas vezes acaba sendo feito após vários copos de cerveja em um boteco ou de whisky e energético em uma festa open bar.

Tem quem culpe a distância por tornar grandes amigos ilustres desconhecidos. Não concordo. Acho que a distância apenas potencializa o que há de acontecer nas amizades. Se é uma amizade que vai durar, ela dura mesmo com quilômetros e oceanos entre duas pessoas. Agora, se a relação já está capengando e vem uma estrada (enorme ou não) no meio do caminho, ih, pode esquecer. Tenho amigos que moram distante e toda vez que nos vemos é como se tivéssemos nos encontrado no dia anterior. Muito assunto, as piadas internas seguem firmes e fortes, a gente continua se entendendo em um levantar de sobrancelhas. O problema é quando grandes amigos do passado se encontram e perdem a sintonia...

É triste, mas é a vida. E eu juro que não sei como agir. Veja bem, sou dessas que leva a vida sem ostentação. Não preciso ficar medindo minha felicidade em promoções de trabalho, salário de namorado nem  closet cheio. Minha felicidade é medida por sorrisos, viagens, livros lidos, saúde, carinho, ar puro e o conforto de chegar a pé no trabalho, sem trânsito e sem buzinaço. De repente, me pego tentando entender o que aconteceu entre mim e essa pessoa que precisa medir tudo em salários e roupas de grife. Sabe quando alguém deprime você e a faz questionar: “fui eu ou foi ela quem mudou assim?”. Na verdade, eu sempre fui assim e ela, desse jeito. O problema é que, quando convivíamos, a gente passava por cima das diferenças. Com a distância, o tempo e os amigos novos que surgiram, essas diferenças se tornaram colossais (pelo menos pra mim) e perdeu completamente o sentido insistir numa amizade que não é mais amizade.

O que se faz nesse momento? Se fosse em períodos sem redes sociais e a gente só se falasse por telefone, essa amizade já entraria na lista do: “o que será que aconteceu com o fulano mesmo?”, “nossa, verdade! Éramos tão amigos...”. Mas em tempos de Facebook, Instagram, WhatsApp e cia., essa amizade fica agonizando eternamente. Pode parecer cruel da minha parte, mas não consigo insistir numa relação que não acrescenta nada (ou acrescenta só depressão). Todo mundo fala dos fins de namoro, casamento e noivado, mas os fins de amizade são igualmente tristes, ainda mais quando parece ser só você que vê o pôr do sol da relação. A vida acontece e chacoalha as pessoas, reorganiza o coração, as prioridades e as afinidades, alguns percebem de cara, outros, não. Pra quem acha difícil dizer “não amo mais você”, experimenta tentar falar “não sinto mais amizade nenhuma”.


Partilhar

Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Taí que eu ainda não havia pensado nisso. :) Lembrei de uma citação que vi há muito tempo e que dizia: "amizades são feitas de interesses comuns, afinidades pessoais e encontros".