quinta-feira, 6 de março de 2014

FALE AGORA OU CALE-SE PRA SEMPRE
>> Mariana Scherma

Ter seu nome confundido por alguém pede agilidade máxima na correção. Se você não corrige de cara, nos primeiros dez segundos do erro, pode esquecer. Melhor se acostumar a ter dois nomes: o seu nome de batismo e o seu segundo nome, aquele fruto de um erro de memória do fulano e de timing seu, ãham, porque você não soube corrigir a tempo. Quer dizer, isso só se você for como eu, que morre de vergonha de corrigir seu falso nome. Sério, eu corrijo as pessoas e seus erros mais simples ou grotescos de português, mas não sou capaz de dizer: “é Mariana, não Marina”. Vai entender...

Meu novo professor de natação decidiu que sou Marina. Ele me perguntou qual era meu nome, disse Mariana, mas, por alguma sinapse muito doida, ele subtraiu a minha letra a do meio e fui batizada como Marina na natação. E esse meu professor fala muito e fala rápido, quando me chamou de Marina pela primeira vez, já emendou algum assunto e eu resolvi deixar pra lá. Toda hora era “Marina, agora 12 chegadas peito”, “Já terminou, Marina?”, “Marina, parou com a musculação, é? Por quê?”, enfim... Era tanto repetição de Marina pra cá, pra lá, que resolvi que na piscina eu seria Marina dali pra frente. E quer saber, ele nem estava tão errado assim. Toda Mariana tem 90% de Marina.

Naquele dia, entre uma chegada peito e outra costas, até cogitei a possibilidade de mudar meu Facebook para o professor não perceber, de avisar meus amigos que agora eu era Marina, queria até pedir na recepção da academia pra fazerem essa alteração, tudo pra não ter que corrigi-lo. Eu estava disposta a abrir mão do nome que meus pais escolheram com tanto carinho por conta de um momento perdido. Mas aí veio a reviravolta que mais me constrangeu na vida...

Enquanto eu, a nova Marina, saía da piscina pra tomar banho, o professor me chamou pra acertar meu nome na lista de exame médico e eu pensei em sair correndo, juro. Se a piscina desembocasse no oceano, a essa hora já estaria em Sidney, sendo Marina.
— É Marina do quê? Não acho aqui na minha lista. Preciso do seu nome completo, ele avisou.
 ... Éééééhhh, ééééh... (respirei fundo e encarei) Na verdade, é Mariana. Mariana Scherma, disse, sentindo que meu rosto estava vermelho-tomate de vergonha.
 Eu tô a aula inteira falando seu nome errado e você não me corrigiu?
 Achei chato. E você nem estava tão errado, só faltou um a.

Sim, eu fiquei mais sem graça que o professor. Eu ria de nervosa e ele ria da situação em si. Desde então, voltei a ser Mariana com gosto. Não preciso mais mudar meu Facebook pra Mari, nem nada do tipo. Mas taí: se eu dia eu precisar de passaporte falso, meu nome será Marina. Foi bom enquanto durou, mesmo que tenha durado uma aula de natação só.


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4 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Grato pela graça, Mari(a)na. :)

Nina disse...

Oi, Mariana! Identifiquei-me muito com essa crônica, pois acontece comigo justamente o contrário: nasci Marina, mas as pessoas teimam em me chamar de Mariana! Já perdi as contas de quantos professores e conhecidos eu já tive de corrigir! Por isso, agora estou fugindo do meu nome e tento fazer com que os mais íntimos me conheçam pelo meu apelido, assim evito quaisquer confusões!

Love, Nina.
http://ninaeuma.blogspot.com/

albir disse...

Marina é muito bonito, mas você é Mariana. Não se permita ser 90%, exija MARIANA.

nunnescosta Costa disse...

Excelente seu texto Mariana... ou...melhor, Marina. Se o seu nome oscila entre Marina e Mariana, seu texto oscila entre excelente excelentíssimo. Parabens!!