domingo, 15 de dezembro de 2013

QUE PERDURE! >> Sílvia Tibo

Na semana em que o mundo parou para se despedir de Nelson Mandela, a crônica deste domingo não poderia deixar de fazer referência à causa por que ele lutou, tamanha a sua beleza e relevância.

Por diversas vezes já me peguei imaginando a razão pela qual, num dado momento da História, pessoas de pele branca passaram a se considerar superiores às de pele negra e, sob tal convicção, atribuíram-se o direito de instituir normas destinadas a restringir seus direitos, privando-lhes do acesso a serviços públicos como saúde e educação em condições idênticas às oferecidas à população branca.

Há pouco tempo, li a obra de Kathryn Stockett, que, em Português, recebeu o título de “A Resposta”. Meses depois, assisti ao filme “Histórias Cruzadas”, que teve origem no livro.

Para aqueles que, como eu, fazem parte de uma geração de adultos que não assistiu a grandes episódios de segregação racial, como os que se deram durante o regime do Apartheid, entre os anos de 1948 e 1994, a história narrada em “A Resposta” pode parecer mera ficção. Mas o fato é que, embora os personagens ali apresentados sejam fictícios, as cenas criadas pela autora, desenroladas nos idos de 1960, na cidade norte-americana de Jackson, estado do Mississipi, basearam-se em fatos reais, que marcaram uma época de racismo extremo nos Estados Unidos.

É repugnante imaginar que, em plena década de 60, há pouco mais de cinquenta anos, negros não podiam frequentar escolas, bibliotecas, hospitais e supermercados de brancos, única e exclusivamente em razão da cor da pele.

As coisas melhoraram, sim, desde então. Afinal, ao menos já não se editam leis segregacionistas, nem se admite a existência de políticas que promovam, abertamente, a separação racial. Ao contrário, atitudes dessa natureza foram alçadas à condição de crime e, ao menos sob o aspecto formal, são punidas como tal.

Mas não é preciso andar muito por aí para que se dê de cara, ainda hoje, com atitudes meio disfarçadas, mas não menos infundadas, de intolerância e desrespeito, deflagradas através de expressões pejorativas ou de olhares tortos de preconceito e desaprovação.

Para além dos aplausos e reverências prestados à figura de Nelson Mandela, meus votos são de que seu legado permaneça vivo, forte, latente, norteando o comportamento desta e das futuras gerações.  Que ele perdure no tempo, que se faça presente, tanto quanto se fizer toda e qualquer atitude de discriminação.

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Um comentário:

albir disse...

Madiba extrapola as fronteiras da África do Sul e dá lições ao mundo.