Pular para o conteúdo principal

CONVERSAS DE ELEVADOR >> Clara Braga


Quem nunca teve problemas de relacionamento que atire a primeira pedra! Até quem nunca teve um relacionamento amoroso já teve problemas de relacionamento com os pais, com os irmãos ou com os amigos, não adianta! E digo mais, pode apostar que se você estiver em um recinto cheio de pessoas, a probabilidade de pelo menos um grupo estar conversando sobre relacionamentos é muito grande.

Outro dia estava no trabalho esperando o elevador para subir até minha sala, e ouvi uma mulher reclamando do seu relacionamento para a amiga. Elevador é uma droga mesmo, principalmente o do meu trabalho, que quando não está quebrado demora um século para chegar, então você fica ali, ao redor daquelas pessoas que se aglomeram esperando o elevador e reclamam de seus relacionamentos, como no caso dessa mulher.

Ela reclamava para a amiga que não estava recebendo a atenção merecida de seu companheiro, e isso a estava deixando irritada. Então, de uma forma muito madura, ela resolveu tratar o rapaz com a mesma frieza que ele a estava tratando, ao invés de conversar com ele sobre o que a estava incomodando. O resultado disso tudo foi que eles tiveram uma briga feia, e, segundo palavras proferidas por ela mesma, ela soltou os cachorros em cima dele e cada um foi para sua casa. O que mais estava incomodando a mulher é que desde o dia anterior a noite, momento da briga, até aquele momento, ele não havia ligado para ela para se desculpar e resolver as coisas. Então sua amiga, em uma tentativa de consolar a mulher, disse: mas amiga, você mesma disse que depois da briga vocês foram cada um para sua casa, ele é casado né, você sabe muito bem que quando ele está em casa não pode ligar para você!!!!!

Eu queria ser muito cara de pau nessas horas, mas infelizmente meus pais me ensinaram a não me meter na conversa quando essa não me envolve, apesar de que uma conversa de elevador é sempre compartilhada com todos aqueles que estão dentro do ambiente. Sério que ela estava reclamando que seu companheiro, que no caso era um homem casado, não estava lhe dando a atenção que ela achava que merecia? E que tipo de atenção ela esperava de um relacionamento que já começou com seu companheiro demonstrando ser um cafajeste que engana a mulher para estar com ela? Não sei quem é pior nessa história, o cara que trai ou a mulher que aceita se relacionar com um homem casado e ainda se sente no direito de cobrar alguma coisa!

Mais uma vez, sei que posso estar parecendo muito antiquado para esse mundo moderno onde muitas pessoas acham normal serem as amantes e muitas esposas não se incomodam de não serem as únicas, mas se eu fosse a amiga dessa mulher eu nem perderia meu tempo ouvindo as reclamações, quer reclamar do seu relacionamento tudo bem, como disse anteriormente, todos os relacionamentos tem seus problemas, mas pelo menos arruma um relacionamento que tenha começado bem, e não um que já tenha começado na base da mentira e desconfiança, né? Nem conheço essa mulher e já não tenho paciência para ela, acho que estou me tornando uma pessoa muito intolerante, só não sei dizer até que ponto isso é bom ou ruim...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …