domingo, 3 de março de 2013

PASSEIOS >> Whisner Fraga

Depois que nossa filha Helena aportou neste mundo, tudo mudou de uma forma divertida e radical. Nem vou falar da alegria que é acompanhar uma criatura atiçando seus sentidos para compreender o mundo, porque é assunto batido e, portanto, chato demais para os leitores desta página. Tampouco vou falar do preço abusivo do vestuário infantil, embora eu reconheça se tratar de tema mais interessante do que o anterior. Para que eu pudesse discorrer sobre tal matéria, teria de recorrer à minha esposa, que neste momento desfruta de alguns instantes de lazer na casa da vizinha.

A crônica de hoje é sobre viagens. Sair por aí de carro, seja para visitar a família, seja para passear em alguma cidade turística, se tornou uma aventura que requer paciência e bom senso. Bom  senso é algo complicado quando o que mais queremos é levar nossa casa conosco, quando desejamos transpor o conforto do lar para algum hotel duas estrelas. Eu tento cortar: esse brinquedo não cabe; ah, ela não precisa dessa roupa; para que levar tanta fralda? e assim por diante. Dou constantemente graças a Deus por ter uma mulher tão compreensiva, porque eu no lugar dela já apelava logo de cara.

Daí que nem metade do que queríamos levar conosco cabia no porta-malas do velho Gol, o que significava que precisávamos de um carro maior. A coisa chegou a ficar engraçada, porque decidi que compraríamos um porta-malas e ganharíamos um carro de brinde. O que vinha junto com a parte traseira não nos interessava. Aqui vou fazer uma comparação com o salário de qualquer cidadão: sempre gastaremos mais do que ganhamos. Fazendo um paralelo: os mais de 500 litros de volume não foram suficientes para tanta parafernália.

Até aí tudo é festa. O problema começa quando a avó mora no décimo-segundo andar e são necessárias oito viagens para carregar a mudança. Quando chegamos, todos só querem saber da criança, é afago daqui, beijo dali e ninguém se lembra de ajudar com o transporte. Tudo bem, o que são quatro horas dirigindo, né? E não adianta pensar que dá para levar os cacarecos depois, porque não dá. Criança não espera, nem pede licença para fazer xixi ou tem vergonha de chorar quando está com fome. E vamos lá, passear com o elevador e brincar de falar oi para o porteiro.

Alguém aí está pensando que o retorno é mais sossegado? Não é. Porque, geralmente estão acordando o bebê, preparando o café da manhã e a ajuda que recebo da esposa na chegada não tenho na saída. Tento encurtar o martírio carregando seis, sete malas de cada vez. Logo percebo, pelo sorriso das pessoas, que não é uma boa ideia. À noite, o braço e as costas confirmam a suspeita. Alguém está se reconhecendo na trama?

Mas sabemos que são uma espécie de obrigação estas visitas. Os avós envelhecem e, como velhos, têm direito a certos abusos. Há algumas situações emblemáticas. Como quando estão lá, brincando com a criança, pedindo para que ela repita: “Eu amo a vovó” ou “Eu adoro o vovô” ou frases do mesmo naipe, e de repente se cansam, chegam com o neto nos braços, entregam o infante ao primeiro que encontram pela frente e correm para a cama, ensonados e cônscios de terem cumprido um papel qualquer, que nem eles sabem ao certo qual é. Só têm uma certeza: precisam mimar o neto, necessitam de estragar o neto. E mal desconfiam que talvez esse seja o seu papel principal.

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6 comentários:

albir disse...

Verdade, Whisner, uma de minhas melhores lembranças é ter sido estragado pela avó.

Zoraya disse...

Puxa, Whisner, é melhor vocês aprenderem a viajar com menos bagagem. Nao para Helena, mas para vocês, claro. Basta uma calça e algumas blusas. E talvez deixar alguns utensílios nas casas estratégicas. E, talvez, fazer uma musculação para carregar as malas, pois a verdade é que, quanto mais Helena crescer, mais coisas ela vai querer carregar, hahahah. Beijos e quero mais histórias a partir da Helena!

Zoraya disse...

Puxa, Whisner, é melhor vocês aprenderem a viajar com menos bagagem. Nao para Helena, mas para vocês, claro. Basta uma calça e algumas blusas. E talvez deixar alguns utensílios nas casas estratégicas. E, talvez, fazer uma musculação para carregar as malas, pois a verdade é que, quanto mais Helena crescer, mais coisas ela vai querer carregar, hahahah. Beijos e quero mais histórias a partir da Helena!

Leticia disse...

Whisner, nesta crônica você se superou. Me identifiquei muito com a situação, afinal tendo a "vida cigana" que tive, me vi muito entre malas, esteiras de aeroportos "pegando" as malas pesadas com "coisas das crianças", bagageiro dos carros cada vez "menores" e os mimos dos avós com a mulecada... Muito bom...

silvia tibo disse...

Que lindo texto, Whisner!
Relaxe! Em breve Helena poderá carregar sua própria malinha...rsrs.
Grande abraço!

whisner disse...

Albir, Zoraya, Leticia e Silvia, obrigado pela leitura e pelo carinho. Abraços!