sábado, 29 de setembro de 2012

ARTE E CULTURA: REALIDADE DOS VALORES [Heloisa Reis]


Admito que não escapo à sensação de que estamos perdendo terreno em matéria de Cultura,  privilegiando apenas o consumo - mesmo que cultural –  m  frenética ânsia em busca de não se sabe bem o que para logo em seguida nos colocarmos em busca de outra coisa qualquer.

Mas a  Cultura – sim, com letra maiúscula –   densa, vem de gerações, carrega valor, é lenta... E compreende muitas de nossas atividades – todas, na verdade.

Mas será que estamos considerando a palavra  c u l t u r a devidamente?  Será que achamos que só consumimos cultura quando assistimos a um concerto ou a um filme importante, ou quando nos interessamos por um livro ou por uma exposição de arte? E nossos hábitos e tarefas diárias, fazem parte de nossa Cultura? Claro que sim.

Cultura é, na verdade, todas as atividades que desenvolvemos em nosso viver, em nosso espaço e em nosso tempo. É um tesouro que devemos  preservar, estimular e valorizar, cultivando-o.

Contudo, a cultura de um povo é ao mesmo tempo  dinâmica, influenciável, maleável, mutável, e interferências vindas dos contatos com outras culturas sempre podem ser bem vindas – lembremo-nos da nossa ancestral cultura greco-romana. Porém, a importância da preservação dos valores e tradições locais são inegáveis como bens ideais .
 
Com base em acontecimentos históricos já se sabe que se não se cuida, se perde. Assim, vemos como a cultura dos caiçaras, habitantes da orla do Brasil, vem se perdendo com a urbanização crescente e com o advento das comunicações instantâneas.  A pesca artesanal – culturalmente transmitida  de pai para filho  antes necessária como forma de conseguir alimentos,  está sendo substituída por outras atividades, agora relacionadas com a forma do desenvolvimento desses lugares .

Por outro lado, quem ainda não ouviu contar que em acontecimentos mais recentes, bairros e regiões urbanas desvalorizadas por sucateamento ou abandono, transformaram-se ao serem  ocupados por artistas? Conhecemos a história do SoHo  em NY, ou de Vila Madalena em São Paulo, que passaram para um estagio muito mais  valorizado quando artistas ocuparam  antigos imóveis e levaram à região um alento só possível em razão de que a valorização desses pontos vêm do  forte valor simbólico da arte – atividade capaz de promover a integração entre os habitantes de um lugar. 

Esse  aumento da auto estima local  forma laços entre os moradores, e consequentes  benefícios econômicos  muito além do consumo puro e simples.


imagem: Muro de pedras  em Freixinho, foto de Nancy Yasuda


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