quinta-feira, 20 de setembro de 2012

MIMIMI NÃO É PROBLEMA >> Mariana Scherma


Eu ando meio invocada com a expressão que virou praga moda nas redes sociais e, consequentemente, na vida real: o mimimi. Primeiro, quase gostei, achei simpática. Depois, cansei, peguei birra. Por um motivo justo, vai: (quase) todo mundo postava reclamações nas redes sociais e, por fim, acrescentava #momentomimimi, como se ficasse engraçado ou justificasse encher a timeline alheia de chateação.

Isso mesmo, chateação. A verdade é que existe uma multidão de personalidades dentro de nós mesmos: tem a versão chorona, que assiste secretamente a comédias românticas bestinhas. A versão revoltada com os abusos da política e com a palhaçada (sem graça, claro) que virou o horário político. A hipocondríaca que, ao ficar com a boca seca, não acredita que a causa é o tempo seco, mas sim uma provável diabetes. Uma superlotação em nós mesmos. E o grande desafio de ser uma pessoa agradável é juntar todas essas facetas, fazer uma média e liberar ao mundo a parte boa de tudo isso. Mais ou menos como ser o maestro de todas as vozes dentro de si: cabe a você se vai fazer uma sinfonia suave ou uma barulheira enjoativa. Sério, eu não acho que o universo e todos os seus habitantes precisam saber que alguém ficou 1h30 minutos na fila do Poupatempo pra resolver um problema. A vida é cheia de dias ruins e bons, paciência se você está num dia terrível. Amanhã as coisas invertem, ué. Ou depois de amanhã, vai saber.

O que mais me chateia é que mimimi não é problema. Ok pedir ajuda a um amigo por conta de um problema, ok soltar seu problema nas redes sociais e ver quem pode ajudar. Problemas têm solução e são resolvidos graças a cabeças que pensam juntas. Mimimi, não. Mimimi é só sua lamentação, é egoísmo. Dias ruins são o obstáculo da nossa corrida diária, é melhor pular e deixá-los pra trás. Mas tem gente que faz dele um drama, funciona assim: você, que está no pior dia da semana e aí se sente no direito de cobrar pedágio dos outros que seguem vivendo felizes. Reclamações não aliviam seu estresse. Reclamação é diferente de desabafo. Quando você desabafa, fica mais leve. Agora, quando você reclama, quer continuar reclamando, é uma bola de neve que não derrete nunca.

Eu andei cheia de mimimi numa época estressada. Mas quanto mais eu reclamava, mais eu queria reclamar. Pessoas com mimimi são repetitivas, cansam a amizade. Ter uma fase é aceitável, vai... (mesmo porque eu acabei de ter, hehe). Agora, ser sempre assim... Opa! Aí não. Isso faz todo mundo tomar uma certa distância de você. Eu não sou perfeita, mas toda vez que uma reclamação chega na ponta da língua, penso duas vezes se libero a dita-cuja ou se guardo pra mim. Tenho medo da fama de reclamona, é o tipo de fama que segue sempre ao seu lado (conheço ex-galinha, ex-fumante, mas não conheço nenhum ex-reclamão...). Às vezes, o mimimi sai sem você perceber, mas na maioria das vezes você consegue guardá-lo pra si só. Minha dica aos cheios de mimimi é não colocá-los pra fora toda hora. Engula suas reclamações, no fim do dia você pode nem se lembrar mais dela. Agora, se a reclamação ficar martelando na cabeça, coloque-a num papel (ou num arquivo de texto no seu computador) e guarde. Releia mais pra frente e você vai ver que nem faz mais sentido.

Você pode dizer que “vai continuar reclamando porque os amigos verdadeiros o aceitam do jeito que é”... Bom, é uma forma de pensar. Pra mim, amigo de verdade não enche o outro com suas besteiras. E besteira é diferente de problema. Eu acredito que se você der seu melhor ao mundo, recebe o melhor de volta. E não é porque mimimi é uma expressão da moda que reclamar esteja em alta nesta estação. Nem na próxima, eu espero.

P.S.: vai ver eu ando cheia de mimimi sobre o mimimi!







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2 comentários:

Tatyana França disse...

Conheço pessoas que adoram mimimi e realmente é cansativo estar ao lado de gente assim. Eu digo é valha...

Curti o texto! :)

albir disse...

Mariana,
seja bem-vinda!
E parabéns por sua divertida crônica de estréia.