Pular para o conteúdo principal

TE PEGUEI! >> Clara Braga

Essa última semana foi exatamente a semana que eu usaria para ilustrar o que significa estar no lugar certo, com a pessoa certa, na hora certa.

Em um dia eu estava num barzinho comentando com a tal pessoa certa sobre o projeto que desenvolvo na Universidade, e então em menos de uma semana eu estava dentro de um avião com destino à Lisboa preparando uma palestra para dar no encontro dos jovens que trabalham na empresa onde essa pessoa certa é diretor.

E então começou a semana que poderia ilustrar, a partir daí, coisas que com certeza vão dar errado, mas no final das contas, sem que ninguém consiga explicar muito bem como, dão certo.

O outro palestrante do projeto, que iria viajar comigo, não tinha passaporte. Corre para fazer em menos de uma semana. Nós nunca tínhamos feito palestras juntos, eu nunca tinha feito palestra nenhuma em toda a minha vida. A palestra tinha que ser em inglês, pois seria para a área internacional da empresa. Chegando ao aeroporto a passagem não constava como comprada, ninguém sabe o porquê até agora. Não teríamos tempo de nos encontrarmos para resolvermos como seria a palestra, então teríamos que usar às 9h de avião para elaborar tudo do zero! Parece ou não parece que a situação está perfeitamente montada para dar errado?

De uma forma um pouco surpreendente, tudo deu perfeitamente certo, a palestra foi sensacional, fomos super elogiados, as pessoas querem ajudar o projeto, a palestra estava tão organizada que parecia que essa era a milésima vez que estávamos apresentando.

Diante de uma situação dessas, onde em meio a bagunça tudo dá certo, não tem como não aliviar e deixar a tensão ir embora de uma vez por todas! Depois de dar uma relaxada era hora de ir atrás das encomendas e voltar para casa feliz da vida. Se essa bagunça toda tinha funcionado, nada mais poderia dar errado.

Grande erro meu! Depois de encher a mala de mão com as compras, já a caminho do aeroporto, descubro que líquido não pode ser levado dentro do avião. Minhas horas de madrugada arrumando a mala foram para o espaço, cheguei no aeroporto e tive que abrir as malas e arrumar tudo de novo, igual cena de filme.

Tudo bem, primeiro stress resolvido. Corre, faz check in, entra, passa pelo free shop, compra tudo que todos pediram, embarca e pronto. Hora de dormir que é para passar rápido. Dormir? O que é dormir? Aqui vai uma baita turbulência que é pra você ficar bem acordadinha! E não é que a safada da turbulência veio justo depois do almoço! Quando desci em Brasília eu estava branca, passando mal de verdade! E então piorou quando a mulher que estava na minha frente disse: “Vocês não trouxeram queijo não né? É proibido entrar com queijo, se eles te pegam na alfândega você vai pagar uma multa altíssima, podendo até correr o risco de ser presa!”

Eu não tinha trazido um ou dois, mas sim 5 queijos! Seria presa com certeza!! Ela me instruiu a negar que tinha queijo até a morte, o problema é negar quando eles estão bem ali na minha frente e com aquele cheiro inconfundível!

Passei negando até a morte, não trouxe nada, eu juro! Apenas roupa, fui a trabalho, não tive tempo de ficar comprando queijos! E graças a Deus eles não leram aquele livro “O corpo fala”, pois eu dizia que não enquanto meu corpo todo dizia: “Abram minha mala, ela está lotada de queijos deliciosos!” Passei sem nenhum problema, mas se tivessem me parado eu já teria a resposta na ponta da língua, afinal, era domingo, dia 1.

Trouxe queijo? Eu não! Então o que é isso aqui? Te peguei, feliz dia da mentira!!!

Comentários

Anônimo disse…
kkkk
muito boa .Mas no fim tudo acabou em queijo.
Anônimo disse…
kkkk...
muito boa. pelos menos deu tudo certo.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …