quinta-feira, 5 de abril de 2012

SANTO REMÉDIO >> Fernanda Pinho




O tempo é o melhor remédio. Eis uma verdade incômoda de se ouvir, por motivos óbvios. Quando alguém nos vem com essa, geralmente é quando estamos aflitos por uma solução imediata. O que acontece é que, a depender da gravidade do caso, o tratamento é longo e o tempo precisa ser prescrito juntamente com um outro santo remedinho: a paciência. Em casos extremos, como superar a dor de uma morte qualquer (de uma pessoa, de um relacionamento, de um sonho), não tem outro jeito, só se chega à cura ingerindo alta dosagem de tempo e paciência.  E a falta dela é o caminho mais curto para os mais danosos efeitos colaterais. 

Como todo remédio, o tempo precisa ser bem administrado. Afinal, estamos falando de um medicamento recomendado para tratamentos que vão desde problemas crônicos à pequenas irritações cotidianas. Como ainda não inventaram uma categoria na medicina para tratar disso, cabe a nós mesmos saber diferenciar um do outro. E, claro, aplicar a dose certa.

Um exemplo prático, testado em uma cobaia humana. Eu, no caso. Se uma pessoa me deixa chateada/nervosa/brava é muito importante que me seja aplicada uma certa dose de tempo, ainda que eu insista que não preciso. É importante também que a pessoa que me dará esse tempo seja a mesma que me irritou, tal como a própria cobra fornece o soro antiofídico. Mas atenção! Para este caso, é necessário apenas uma pilulazinha de umas duas horinhas e nada mais que isso. Se der um pouquinho mais de tempo, o revertério é inevitável e a irritação volta ainda maior que a inicial. Alta dosagem de tempo para esse caso, nem pensar. Overdose é risco de morte. Morte da relação, seja ela qual for.

Como cada organismo é único e especial, fica a cargo de cada indivíduo descobrir a quantidade de tempo necessária para seus males. Na dose certa, não há tristeza, arrependimento, irritação, saudades, dor-de-cotovelo, raiva, mágoa e estresse que resista. É batata, menina!



|A PERSISTIREM OS SINTOMAS, CHRONOS DEVERÁ SER CONSULTADO|   


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2 comentários:

Paula irmã disse...

Esse tempo danado há de curar a minha saudade de você.

albir disse...

Verdade, Fernanda. Como em todo remédio, a dose tóxica fica muito próxima da medicamentosa.