quinta-feira, 22 de novembro de 2007

TATUAGEM [Anna Christina Saeta de Aguiar]

Dia desses minha irmã chegou em casa com uma tatuagem na parte interna do pulso: um M em letra cursiva floreada e duas estrelinhas desalinhadas, uma azul e uma vermelha. Meu irmão também tem uma tatuagem, mas na parte interna do braço. São três cabeças de dragão formando um círculo. Consideravelmente maior do que a dela, mas também em local de acesso mais difícil aos olhos alheios.

Tatuagens me causam um misto de espanto e incompreensão: fazer de livre e espontânea vontade um desenho no seu corpo que, por princípio, deverá existir para sempre? Engraçado. Estranho. Como assim? E se eu cansar dessa marca, dessas cores, desse modelo? Você pode tirar com laser, dizem eles. Sim, respondo eu, mas e se eu cansar disso já na semana que vem? Aí a incompreensão é deles: por que alguém faria uma tatuagem se fosse para não querer mais tê-la na semana que vem? Pois é. Por que? Agora sou a única irmã não tatuada, para alívio do meu pai.



Eu confesso que não consigo me imaginar fazendo uma tatuagem. Já brinquei muitas vezes com a possibilidade de desenhar uma borboletinha em algum lugar do corpo, mas nunca pensei em levar isso adiante. Fazer uma borboletinha no pulso e olhar para ela todo dia? Vou enjoar. Fazê-la, então, nas costas ou em algum lugar de difícil acesso? Mas para quê, se não vou poder vê-la? Enfim, a tatuagem é feita para mostrar ou para olhar? Uma tatuagem na parte de trás do ombro ou da panturrilha só serve para mostrar... ou não? Não sei. Aliás, já está claro que meu grau de compreensão do tema é menor que zero.



Não é que eu seja "contra" tatuagens... Algumas são até bonitinhas. Desagradam-me, no entanto, tatuagens grandes, daquelas que ocupam um membro inteiro. Ou tatuagens em locais em que a pele é delicada, como o pescoço. Escrever numa pele lisinha, ai. Que pena... Um dia, num barco em Parati, sentei atrás de uma moça que tinha as costas inteiras tatuadas. E os braços. E os pés. E parte das pernas. A impressão era de que estava vestida com uma camiseta estampada de revista em quadrinhos. Dragões, mocinhas, flores e borboletas, em cores vibrantes. Senti-me uma legítima representante do século passado ao pensar "puxa, uma moça tão bonita e estragou toda a pele desse jeito..."



Será que a minha incompreensão vem daí? Pois, se não sou daquela geração que considerava tatuagem uma coisa de gente pouco respeitável, sou do tempo em que bonito era ter a pele lisinha, sem marcas. O que, aliás, não é o meu caso. Tenho marcas espalhadas pelo corpo. Na canela, no antebraço, uma pequenina no rosto e uma verdadeira constelação delas na barriga,
resultado de duas cirurgias por video-laparoscopia. E dessas cicatrizes, no fundo, tenho até certo orgulho. Todas têm significado expressivo, e representam momentos difíceis de esquecer. Fico então com essas, e deixo as figurinhas coloridas apenas na imaginação.



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8 comentários:

Anônimo disse...

Gostei muido dessa cronica, ela nos traz em uma linguagem simples a opinião de Anna sobre as tatuagens, ela exprime o seu jeito de pensar sem ofender nem criticar quem as tem. Uma ótima leitura !

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Chris! Se eu fosse escrever uma crônica sobre tatuagem (um tema pelo qual tenho curiosidade, mesmo que muito esparsamente), ela seria parecida com essa sua. :) Acho que agora estou desobrigado de escrever sobre o tema. :)

Paula Pimenta disse...

Por muito tempo eu quis uma tatuagem mas não o bastante para vencer isso tudo que você escreveu aí. Um dia, na praia, resolvi fazer uma daquelas de henna, na nuca, de lua e estrela. Apaixonei com a tatuagem e fiquei tão triste quando ela sumiu, que resolvia que iria um dia refazer ela, só que de verdade, no mesmo lugar. Mas a coragem e a disposição para isso nunca chegava. Até que uma amiga, louca por tatoos, me deu de presente de aniversário um vale-tatuagem. Mesmo assim ela teve que me levar pelo braço. Acabei fazendo e amando! Já tem quase 6 anos que ela faz parte do meu corpo e eu a considero uma marca registrada, um detalhe a mais em mim. Claro que não me imagino com outro desenho sem ser essa lua com a estrelinha ao lado e acho que esse pode ser o segredo: quando a gente ama muito alguma imagem, pode colá-la no corpo sem medo, porque em vez de arrependimento o que vem é muito orgulho de ter o desenho pra sempre na pele...

padma wangmo- disse...

tatuagem é uma cicatriz que acontece por livre e espontânea vontade. tenho certeza que a minha vai aparecer, aquela que eu irei destinar que meu corpo carregue(quer eu ou outros possam vê-la ou não). Diferente de todas as marcas que carrego, destinadas pela vida, essa ou essas, será de minha responsa e decisão.

MUTUMUTUM disse...

Concordo plenamente contigo. Não tenho nada contra tatuagens, mas nada neste mundo me fará botar uma coisas dessas no meu corpo.

É estranho! Qdo aparece uma cicatrizinha na gente, reclamamos de Deus e do mundo... mas qdo é a gente mesmo que se deixa cicatrizar, fica todo serelepe e saltitante por aí, exibindo o desenhinho... estranhíssimo, eu diria...

Abraços o/

Lilly disse...

É, definitivamente você não entende NADA de tatuagens.

Murilo disse...

o meu essa foto da lagartixa ai tipo deu um bolo ja aki minha mina fez ela e tal dai apareceu uma loka do sanatorio aki q diz q e dela e tal e q a namorada dela tem tbm e tipo cara q comedia loko tipo essa historia e real mono velho cara eu quase me mijei rindo cara como uma fotinhu simples pode incomoda ate mesmo pq se voce bota no google imagens e tatuagem aparece de primeira !! q quadro maluco

Danny disse...

Sei lá eu penso que cada umm tem uma forma de pensar e que ninguem deve criticar ninguem.Eu nao tnho tatuagens mais pretendo fazer e nao é a opiniao ou preconceito de certas pessoas que me faram mudar de ideia.E dai se eu enjoar do desenhinho... faço outro por cima.Ah acho que tatuagem é uma coisa pessoal de cada pessoa, se ela escolheu fazer é porque ela gosta e que se foda as outras pessoas.Nada contra sua cronica, ela é simplesmente sua opiniao e na as dos outros.