domingo, 25 de novembro de 2007

AMOR POR ESCRITO >> Eduardo Loureiro Jr.

Amor por escrito, Eduardo Loureiro Jr.As analfabetas que me perdoem, mas a escrita é fundamental. As que escrevem mal que me relevem, mas a grafia correta é imprescindível. As que escrevem só o necessário que me dêem um desconto, mas a desnecessária inspiração é indispensável.

O amor me chegou por escrito, como sempre me chegou: em bilhetes, cartões, cartas, e-mails, mensagens de celular.

O amor por escrito é o amor paciente de que fala O Livro: não exige o momento nem se esgota nele; está ali desde sempre até que se queira conhecê-lo e, uma vez conhecido, estará sempre ali para ser relido como se fosse a primeira vez.

As bonitas que me desculpem, o amor por escrito só vê o invisível essencial. As malhadas que me escusem, o amor por escrito é lânguido, frouxo. As maquiadas que me tolerem, o amor por escrito é sem máscaras.

O amor por escrito fala de si sem dizer o próprio nome: tem uma intimidade anterior aos batismos. O amor por escrito pede silêncio e inspira música.

O amor por escrito é prosa prosaica de mar que se afoga em si mesmo; e, de repente, é peixe dourado que salta da água com seus versos e ágeis barbatanas. O amor por escrito, quando reto, é reticência; quando curvo, é saliência, enxerido assanhamento. O amor por escrito é um só texto composto por dois autores.

Verbo que se faz letra, o amor por escrito é pó & cia. e à poesia voltará.

Quando eu li, amei. Quem me ler, amará?

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7 comentários:

Cris Ebecken disse...

Para no reticente seguir escrito... mergulhar entre versos o verbo da vida... florescrescer...

Carla Dias disse...

Havia aquietado o meu desejo, até ler sua crônica. O desejo de que, dia desses, o amor por escrito faça parte da lista de importâncias de muito mais pessoas. Que elas não se assustem com a intensidade ao serem presenteadas com ele. E que se permitam embrenhar na sua poesia, percebendo que também ele pode ser condutor de acontecimentos. Desejo de que o amor por escrito ganhe a realidade do sentimento.

Os amores por escrito me fascinam.

Obrigada por me lembrar disso.

Li. Amei.

leonardo marona disse...

Eduardo, às vezes vossa senhoria me deixa um tanto encasquetado (desculpe o vocabulário chulo) e pensando "cronica do dia", "poesia do dia", "poesia de uma cronica diária". talvez isso. Quem saberá dizer. Me diga você.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Encasquetado, Léo! :)

O penúltimo parágrafo já deveria ter-lhe dito.

Acrescento: crônica vem de Cronos, do Tempo: "Por isso é que eu não tenho forma." Você conhece, por exemplo, a crônica do Vinícius que depois seria transformada (levada para além da forma) no poema "Operário em construção"?

A crônica é a liberdade na literatura. A moça livre. Dá conforme lhe dão. Às vezes minha senhoria dá poesia pra você porque é poesia que minha senhoria recebe. :)

Adoro encasquetamentos. :)

Ines disse...

Amor por escrito é linda! Mas quer saber o que é mais lindo? O manuscrito desse texto deixado como presente ilustrando essa crônica.

Tem coisa mais linda que o amor escrito num manuscrito?

Beijo admirado

criscalina disse...

Semana passada eu pensava em como a gente não consegue se desvencilhar de alguns escritos, principalmente de amores escritos. Cheguei a odiar a escrita. Queria mais era ser maquiada (maquiavélica), malhada e bonita. O amor que me perdoe, mas eu queria mesmo era ser livre.
Beijo,

Mariana disse...

Amado, já!
Sem ser escrito o amor não consegue nem doer de desamor...tenho cada linha que me foi possivel guaradr e outars tantas ainda nao enviadas...mto bom!
beijo por escrito
mari