sábado, 17 de novembro de 2007

PALAVRAS-CHAVE [Mariana Monici]


Não sou uma pessoa racional - fato admirado por alguns e totalmente condenado por outros. Reparo que algumas pessoas vivem exatamente de forma calculada, feito uma planilha no excel: cada novo dado inserido já prevê um resultado. Admiro e, se houvesse este tipo de consultoria, pensaria em contratar o consultor que aplicasse conceitos matemáticos e prevesse resultados mais sensatos pra minha vida emocional em tudo que lhe diz respeito. Mas tudo bem, procuro aceitar a coisa como ela é.

Alguns tentam me dizer palavras-chave que suscitem sensatez (porque um tanto eu tenho, claro!), como, por exemplo, “calma!”, “tempo ao tempo”, “um passo de cada vez”, e vou confessar que ouvi-las me dá um certo tipo de aflição que sinto as bochechas esquentarem, uma descarga de adrenalina do tipo ruim. Pois pessoas guiadas pelo emocional não gostam muito de ouvir isso - preferem ouvir palavras que demonstrem apoio, efusivamente proferidas.

Isto é sim um tipo de confissão e não um pedido. O melhor seria que todos nós tivéssemos o equilíbrio exato nas demonstrações de emoção e afeto e soubéssemos usá-lo também com a razão.

Tem um ditado chinês que diz que o lugar mais escuro é embaixo da lâmpada. Fiquei refletindo um pouco e pensei que talvez queira dizer que conseguimos enxergar melhor quando nos distanciamos do objeto, seja uma tela de Monet, um relacionamento, uma sala iluminada - afinal, só se pode ver a ilha estando fora dela. A principio, a palavra “distância” soa como “tempo” ou “calma”, porém como acho que é infinitamente rico observar coisas, pessoas e relações, aceito melhor “distância”.

Distância é uma coisa engraçada, porque nunca se distancia de tudo; se você se distancia de um ponto, obrigatoriamente se aproxima de outro (pra avaliar qual seria mais produtivo, o excel ajudaria).

A parte boa é que você pode, distanciando-se de tudo ,aproximar-se mais de você mesmo e descobrir coisas totalmente novas, um mundo, mil pessoas diferentes, novos jeitos pensar, de amar, de ver, sentir; e pode descobrir que gosta mais de Zeca Baleiro e menos de Pink Floyd do que imaginava, que prefere mesmo chocolate meio amargo, e que refrigerante diet é um dos piores paladares do mundo. Pode-se pensar melhor e até mesmo rever seus conceitos sobre aprender a usar o excel. Para isso é necessário tempo e também calma...

Ao final, vejo que não tem como fugir. Que as palavras-chave sirvam, então, para aproximar-me do tão almejado equilíbrio entre a emoção e a razão, mas que na distância do mundo ou de mim mesma não se perca o que nenhum deles tem de melhor.

Outras Cenas

Imagens: Lighthouse Possibly, QuintBuchholz; Winter, Tori Amos

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Um comentário:

Ivã disse...

Acho que a Sra. Mariana está completamente certa e o equilíbio é o que devemos buscar!