segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A HORA DA EXPLOSÃO >> Maurício Cintrão


Acreditar que vai ser melhor no futuro é uma profissão de fé nesses tempos de crise. Cada vez mais pessoas enfrentam dificuldades em conseguir dinheiro para honrar compromissos. Coisa de gente pobre, eu sei. Como não sou rico, invisto tempo falando em crise.

Concordo que as dificuldades criam oportunidades. Busco aproveitar a todas, com a maior força de vontade. Entretanto, a clássica transformação de limões em limonada custa dinheiro. Nem sempre se tem dinheiro para virar o jogo.

Você já deve ter enfrentado situações assim. Fazemos contas, refazemos contas, fazemos as mesmas contas novamente. Na ponta do lápis, não vai dar. Mas continuamos acreditando, porque é isso que dá energia para o enfrentamento.

Uma hora o jogo vai ter que virar. Não dá para perder sempre. Ganha que continua investindo. O problema é que a guerra diária muitas vezes acaba tirando o ânimo de lutar.

Vocês já devem ter vivido aquela sensação horrorosa do “não vai dar”. Depois dela vem uma vontade quase irreprimível de jogar tudo para cima e deixar que o mundo se exploda.

Pois essa é a hora decisiva. Se você quer de fato virar o jogo, precisa conter o ímpeto quase prazeroso de explodir tudo. Pode até faltar um nada para resolver a dificuldade. Mas você já não tem paciência, nem esperança. Quer mais é que tudo se dane.

Experimentei várias vezes essa sensação. É uma perigosa mistura de cansaço com desistência, de vingança com auto-destruição. Em algumas dessas situações, aceitei a derrota antecipada e explodi tudo. O alívio imediato foi interessante. Mas a sensação posterior foi horrível. Porque saí queimado e o mundo continuou girando.

Portanto, vai uma dica. Se você estiver perto da hora da explosão, peça ajuda a alguém, dê um tempo, recupere o fôlego, tenha paciência. O próximo passo pode ser decisivo para que a virada de jogo aconteça. Não deixe explodir. Espere e trabalhe para que a chance apareça.


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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Brigadim pelo lembrete, Maurício. Eu estava precisando. :)