terça-feira, 4 de agosto de 2015

BOA TARDE, SENHORA... >> Clara Braga

— Senhora, você gostaria de fazer o cartão Renner?
— Não, obrigada!
— Senhora, se você fizer o cartão Renner você vai ter 10% de desconto na primeira compra. Tem certeza que não quer fazer?
— Muito obrigada, eu até já tenho o cartão Renner, só não gostaria de usar agora.
— Tudo bem senhora, você poderia me passar o CPF então?
— Claro!
— Senhora, aqui consta que você não tem o cartão Renner, você gostaria de fazer?
— Eu tenho!
— Senhora, o cartão é para a vida toda, ele não desativa por falta de uso. Se você tivesse, iria aparecer aqui!
— Eu tenho, não sei por que não aparece para você, mas isso não é um problema já que eu não quero mesmo usar o cartão para efetuar a compra.
— Senhora, pode ser que não esteja aparecendo aqui pois você não é a titular. Caso você faça um cartão como titular, você tem 10% de desconto na primeira compra.
— Então agradeço bastante, mas não! Vou passar no cartão de débito, já posso inserir o cartão, digitar a senha e ir embora? Obrigada.
Enquanto isso, eu ainda pensava: o pior de tudo é que ao sair da loja ainda vão me pedir para avaliar as minhas compras na Renner e se eu disser qualquer coisa diferente de muito satisfeita vou ter que preencher uma ficha justificando minha avaliação...

Já em casa, o telefone tocou. Hoje em dia, se o telefone fixo toca, algo não está muito bem!
— Alô? (com um ar de desconfiada).
— Boa tarde, senhora. Aqui é da Instituição “X”, estamos entrando em contato pois no mês passado você fez uma doação para a nossa instituição e nós gostaríamos de saber se você não tem interesse em nos ajudar com uma quantia mensalmente.
— Desculpe, mas não vou poder, obrigada.
— Mas senhora, você escolhe o valor.
— O problema não é o valor, é que eu já ajudo outras duas instituições e não tenho condições de arcar com mais uma.
— Senhora, uma de nossas crianças já te escolheu como madrinha dela.
— Entendo, mas realmente não vou poder contribuir.
— Senhora, a fome não é algo pontual, a fome deve ser combatida diariamente.
— Sim, eu entendo, é por isso que já estou contribuindo com outras instituições e estou te explicando que para mim fica inviável ajudar mais uma.

O telefone toca novamente. Com raiva já atendo imaginando que vou ter que explicar para a mulher, mais uma vez, o motivo de eu não poder contribuir com a instituição dela. Só que não…
— Alô!
— Boa tarde, aqui é a gerente do banco “X”. Gostaria de saber se você tem interesse em trocar o seu cartão da conta universitária pelo cartão normal.
— Não, obrigada, por enquanto a conta universitária está ótima para mim.
— Mas senhora, você sabia que com o cartão normal você pode acumular milhas e trocar por prêmios ou passagens?
— Sim, mas não tenho interesse, obrigada!
— Você ainda é universitária?
— Não, sou formada, mas me disseram que posso continuar com a conta universitária.
— Sim, mas seu limite pode ser maior também!
— Acredite, é melhor que ele seja menor.

Enquanto isso…
— Vocês gostaram disso aqui que eu criei?
— Não achei ruim, mas tem coisas que podem melhorar!
— Bom, quem não gostar que não compre…

Outro dia me disseram que eu tenho problemas para ouvir não como resposta. Confesso que fiquei preocupada, mas não surpresa, aparentemente, é um mal da humanidade.



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2 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

E haja paciência... :)

Analu Faria disse...

Hahahahahahahahaha! Adorei!