quinta-feira, 12 de junho de 2014

PARAR DE PROCURAR? JAMAIS >> Mariana Scherma

Não adianta procurar. Quando você menos esperar, vai acontecer. Ok, pode até ser verdade. O telefone mesmo só toca quando a gente já desistiu que ele toque e a luz do WhatsApp acende quando quase acreditamos no próprio fingimento de que não esperamos mais nada de uma conversa na qual todas as nossas expectativas estavam depositadas. Mesmo assim eu sempre sinto vontade de renegar toda a minha boa educação e mostrar a língua para as pessoas que adoram bater na tecla do “espera aí, sua vez vai chegar”. Desculpe se você é uma delas.

Essa regra do amor, de não esperar, de parar de procurar e de ter paciência, faz o mínimo sentido pra mim. Quando você se apaixona, é mais ou menos como viajar para o lugar mais turístico dentro de si mesmo. É ver tudo mais colorido. É sentir sabor de bolo trufado mesmo comendo bolo de fubá meio seco. Aí o amor se perde e você volta para os dias de bolo de fubá ressecado. Você tem o paraíso. Perde o paraíso. E ainda mandam que tenha paciência. Sério?

Às vezes, fico imaginando o mundo onde as pessoas sozinhas realmente esperassem calmas e desinteressadas pelo amor. Cenário um: bares e casas noturnas faliriam. É fato que é muito mais fácil achar alguém interessante na padaria do que na balada, mas a maior parte dos frequentadores da night está em busca de um amor. Nem que seja um amor de um terço só, sem grandes palpitações no dia seguinte. Se dependesse de boa parte dos casais, esses lugares fechariam cedo e lucrariam bem pouco. Quem vai beber em excesso se tem companhia pra dormir? Cenário dois: as ruas ficariam menos perfumadas. Pra que gastar seu perfume se você está de boa e nem um pouco à procura? Cenário três: existiriam menos sorrisos entre as pessoas. Sabe aquele sorriso-começo-de-paquera quando você se depara com alguém seu número? Pra que olhar em volta se você não está procurando?

A verdade, pra mim, pelo menos, é que o mundo sem a expectativa de se apaixonar é muito chato. Muito cinza. Muito bolo de fubá velho. Talvez as pessoas que adoram dizer “espera, o que é seu tá guardado”, em um passado recente ou não, foram as mesmas que cansaram de ouvir isso, fingiram que acreditaram, mas continuaram buscando seu pedaço diário de bolo trufado. De todas as frases-clichê que a gente ouve, "quem procura acha" é a que mais faz sentido na minha opinião.

Como encontrar alguém pra ficar ao seu lado se você não está procurando? Pra mim, não faz sentido. Talvez existam momentos em que você baixe a guarda rapidinho e seja surpreendido. Nisso, eu até acredito. Como aquela distraída básica que você deu pensando na lista de compras imaginária ou no porquê de as pessoas não protestarem contra a Copa logo que o Brasil se candidatou a sede. Se forem necessárias distraídas rápidas pra se apaixonar, que elas venham aos montes. Ou na quantidade necessária pra deixar nossa vida mais parecida com uma caixa de 36 lápis de cor. E sobre os clichês "quem procura acha" e "quem espera sempre alcança"... Um já descarta o outro, por isso fico com o primeiro. Tem mais atitude.


Partilhar

2 comentários:

Anônimo disse...

Como bem escreveu Geraldo Vandré: "Quem sabe faz a hora não espera acontecer." Gostei. Concordo. Compartilhei em minha página.
MariaMariah Menezes

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Crônica divertida. :)
Agora... Como quase tudo na vida: meio termo.