quarta-feira, 11 de junho de 2014

A VÉSPERA TRANSFORMADA EM DIA DE...
>> Carla Dias >>

O Dia dos Namorados, neste ano, acontece na véspera, que não há amor que se dobre a uma Copa do Mundo. Ainda que eu seja avessa às comemorações de calendário — que sou das que acredita que todo dia é dia de índio e de amor bem cuidado —, não resisto a um bom romance.

Por isso hoje, véspera que se tornou dia, escreverei sobre os filmes que, em minha opinião, são românticos pra dedéu.

Anna e o Rei

Vou começar com um filme que é uma lindeza, da história ao figurino, da fotografia às interpretações dos protagonistas. Em Anna e o Rei (Anna And The King/1999 – direção: Andy Tennant), Anna Leonowens (Jodie Foster) é uma professora de inglês, viúva e mãe de um menino, que vai para o Sião para ser tutora dos 58 filhos do Rei Mongkut (Chow Yun-Fat).  Foster e Yun-Fat mergulham no flerte, enquanto a revolução acontece e o choque cultural é inevitável. Um filme de delicadeza, apesar dos confrontos. Culpa da sintonia entre Foster e Yun-Fat.

A Última Ceia
A Última Ceia (Monter’s Ball/2001 – direção: Marc Forster) é uma história de amor permeada pelo preconceito e nascida na tragédia. Hank Grotowski (Billy Bob Thornton) trabalha em uma prisão com seu filho, Sonny (Heath Ledger). Racista, seu maior desafio é lidar com os negros presos, entre eles Lawrence Musgrove (Sean "Puffy" Combs), que recebe com frequência a visita da sua esposa,  Leticia (Halle Berry). Quando Hank e Leticia vivem tragédias pessoais em um mesmo momento, eles se unem na dor, o que oferece uma das cenas de amor mais dolentes e bonitas do cinema.

A Razão do meu Afeto

A Razão Do Meu Afeto (The Object Of My Affection/1998 – direção: Nicholas Hytner) é um filme da leva dos “uma graça”. Primeiramente, porque o casal em questão é formado por Paul Rudd e Jennifer Aniston, e eu acho o Paul Rudd, mesmo quando ele faz aquelas comédias rasgadas, que não me apetecem, uma graça. No filme, a assistente social Nina Borowski (Aniston) conhece George Hanson (Rudd), que acabou de ser dispensado pelo namorado. Eles acabam dividindo o apartamento e o que acontece não é novidade no cinema: a mocinha, que engravida do namorado, apaixona-se pelo mocinho e amigo gay. Filme bonitinho, mas não ordinário. Digno de ser assistido mais de uma vez.

Feito Cães e Gatos

Feito Cães e Gatos (The Truth About Cats And Dogs/1995 – direção: Michael Lehmann) é das minhas comédias românticas preferidas. Tem Uma Thurman, a fantástica Janeane Garofalo e o ótimo Ben Chaplin. E um cachorro danado. Abby Barnes (Garofalo) é uma veterinária que tem um programa no rádio e ajuda as pessoas a lidarem com seus bichinhos de estimação. Bem-sucedida profissionalmente, sua vida amorosa é um deserto a se perder de vista. Agradecido pelas dicas que Barnes lhe deu para lidar com seu cachorro, Brian (Chaplin) decide ir até a rádio para agradecê-la pessoalmente. Mas Barnes não se acha nada atraente, por isso se descreveu a Brian, pelo telefone, como se fosse a linda e sedutora Noelle (Thurman), sua vizinha. Com um toque de Cyrano, a história segue, mas o filme realmente mostra seu valor pelo talento dos atores envolvidos.

Apostando No Amor

Mas o amor também machuca e todos nós sabemos disso. O que não torna uma história de amor ruim. Assistir Apostando No Amor (Dogfight/1991 – direção: Nancy Savoca) sempre me deixa melancólica. Não pela história, que é sobre quatro fuzileiros navais que devem embarcar para o Vietnã, e antes disso fazem uma aposta: quem arranjar a garota mais sem graça, ganha 50 dólares dos outros. A história em si apenas endossa que algumas pessoas são sem noção. O que realmente me deixa triste é ver River Phoenix. E apesar de adorar Lily Taylor, a mocinha sem graça que ele escolhe — mas acaba que ela tem toda a graça que ele busca em uma mulher —, ainda é um filme que eu gosto e sempre assisto quando passa na tevê, apesar de me dar aquela dorzinha no coração. O mesmo acontece com A Última Ceia, que Heath Ledger, assim como River Phoenix, partiu cedo demais.

Paixão Eterna

Paixão Eterna (Made In Heaven/1987 – direção: Alan Rudolph) é um filme que nos leva além do amor, embarcando na espiritualidade. Mike Shea (Timothy Hutton) é um jovem de uma pequena cidade da Pensilvânia que sonha ir para a Califórnia. O plano era partir com sua namorada, mas ela o abandona. Ele decide ir sozinho, mas no meio do caminho, tentar evitar uma família de se afogar, em um acidente, e morre. No céu, ele conhece a moça da sua vida, Annie Packert (Kelly McGillis). Reencarnado como Elmo Barnett, a lembrança de Annie não é clara, mas o sentimento o assombra. A reconexão dessas almas é o tema do filme, que é muito bom. Eu tinha dezoito anos quando assisti  ao filme pela primeira vez. Tenho quarenta e três, e ele ainda me comove. Acho que é por causa da música, a que serve de dica para que o mocinho reencontre a mocinha. Também dou crédito a Debra Winger, que interpreta Emmett, um anjo nada bacana.

Henry & June

Para fechar as indicações para os apaixonados que vão ficar em casa assistindo aos filmes românticos, ou os solitários que vão assisti-los para alimentar a esperança de um dia ter um par, Henry & June Delírios Eróticos (Henry & June/1990 —direção: Philip Kaufman). Porque um filme erótico e biográfico, com um triângulo amoroso formado pelo escritor Henry Miller, sua esposa June e a escritora Anais Nin, bom, já viu. E se não viu, pode assistir. Philip Kaufman fez um belo filme, e não economizou no elenco. Achei que a escolha de Fred Ward para interpretar Henry Miller foi providencial, assim como Uma Thurman como June, centro das atenções dos escritores. Maria de Medeiros está fantástica como Anais Nin. E tem mais: Gary Oldman e Kevin Spacey.

A minha lista de indicações poderia ser mais longa, mas eu acabaria escrevendo mais do que vocês estão dispostos a ler. Afinal, é Dia dos Namorados de véspera. Vocês têm mais o que fazer.

Somebody to Love - Queen



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2 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, a véspera caiu nas mãos da cronista certa. :) Vontade de ver ou rever esses filmes todos. :)

Carla Dias disse...

Eduardo... E tem mais um monte na minha cachola, esperando virar crônica!