quinta-feira, 26 de junho de 2014

BUFADAS DESNECESSÁRIAS >> Mariana Scherma

Desperdiçar horas (ou seriam apenas minutos muito longos?) em fila não é meu passatempo preferido. Mas encaro porque a vida também é uma sala de espera. Às vezes, você só entra no supermercado pra comprar um chocolatinho — e nem as 15 pessoas na fila de cada caixa fazem com que desista da mordida doce pós-almoço. Eu, quando entro numa fila, tento abstrair total. Me perco no meu pensamento com gosto: organizo minha agenda mental, faço a lista de convidados pra minha festa de casamento com Leonardo Di Caprio, escolho o modelo do vestido pra deixar o Leo feliz (tomara que caia não me favorece, sabe?), coisas necessárias mesmo e que podem ser decididas nesses 20 minutos ou menos de espera.

Mas tem um problema: pessoas que chegam depois de você e bufam. Por que a pessoas bufam, meu senhor? Eu adoraria ter a cara de pau e virar pra elas e dizer “assoprar assim com força não vai fazer as pessoas passarem mais rápido, meu amigo”. Eu não tenho coragem de fazer isso, sou cara de pau, mas nem tanto. O problema é que eu tenho um minigrau de maldade. Quem não tem? E aí decido fazer a vida da pessoa um pouco mais irritante naqueles minutinhos de espera. Não pense que é injusto, o fulano bufou e mandou Leonardo Di Caprio pra longe do meu pensamento, provavelmente o mandou de volta pra alguma modelo da Victoria’s Secret. Moral da história: fulano merece sofrer um tico também, oras.

E então a fila comigo à frente vira um pouco mais infernal. Faço questão de pedir CPF na nota fiscal paulista. Pedir CPF é mais ou menos como dar a deixa para o de trás bufar mais forte. Bufar nível ventania mesmo. Aí, como a vida é divertida, a moça do caixa se perde nos números do CPF, falo outra vez e lá vem bufada! Eu rio internamente, só que faço cara de distraída, óbvio. Dependendo, ainda faço mais uma perguntinha pra moça do caixa. Tudo isso leva apenas um minutinho a mais, mas para o fulano bufador é uma vida. Uma vida longa e tediosa, com domingos destinados às videocassetadas do Faustão.

Talvez eu não chegue ao reino dos céus depois dessa maldade de toda fila. Tudo bem. Talvez fosse mais simpático eu virar pra trás e dizer que dois, cinco ou sei lá quantos minutos a menos na fila não devem salvar o bom humor dele. Bom humor precisa ser cultivado todo dia. E eu acredito fortemente que o bom humor pode ser carregado pra longe com bufadas nível tornado.

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4 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Gostei das estratégias, Mariana. :)

Gustavo Luiz Maia disse...

ri internamente:)

Zoraya disse...

rsrs, boa! uma maldadezinha de quando em vez pode até ser educativa. Mas pior que os que bufam são aqueles que tentam (comigo apenas tentam) puxar conversa na fila para reclamar... da fila! Aí quem bufa sou eu.

albir disse...

Muito bom, Mariana.