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BRIGANDO COM O TEMPO >> Paulo Meireles Barguil

Eu já tinha decidido que não ia falar da Copa do Mundo de 2014, independentemente do resultado do jogo entre Brasil e Croácia.

Ao acessar os bastidores do Crônica do Dia para iniciar este texto, verifiquei que alguém já preparou algo sobre o tema, que deverá entrar no ar em breve: mais um motivo para manter meu propósito inicial.

Seria agora o momento para versar sobre uma temática que, apesar de eu ter feito algumas pesquisas na internet, venho adiando?

Poderia, ainda, escrever sobre hoje — Dia dos Namorados — ou amanhã — sexta-feira, 13. Decidi, então, continuar o folguedo da quinzena passada, mudando o enfoque.

É crescente a queixa sobre a falta de tempo, bem como sobre a sensação de que ele está passando cada vez mais rápido.

O budismo tem me ajudado a, lentamente, entender e aceitar que a realidade é construída na mente, a qual, portanto, merece muito cuidado.

Fique em paz: ciente da minha ignorância sobre budismo, não ousarei apresentar uma síntese do que tive a oportunidade de ler.

Abusando, porém, da sua boa vontade, a qual acredito estar em alta porque o Brasil ganhou a primeira partida, vou partilhar um pouco do (que acredito) que aprendi.

Todos queremos a felicidade. Desejamos que ela, uma vez alcançada, seja imutável. Sonhamos com a permanência, quando a característica peculiar da vida é a transitoriedade. Essa é a fonte do nosso sofrimento!

Ansiamos materializar as nossas inúmeras fantasias e mantê-las protegidas de ameaças. Em suma, nossa mente quer congelar o mundo que nos agrada, o qual sequer sabe quem somos nós...

O apego e a raiva, portanto, são o combustível da nossa infelicidade. A libertação de ambos nos possibilita sintonizar com o ritmo, a harmonia do Universo. Cada momento, mais do que uma oportunidade de escolher o caminho que se vai trilhar, revela a forma como queremos fazê-lo.

Essa mensagem foi assim traduzida por Gilberto Gil, em Tempo Rei: "Não me iludo / Tudo permanecerá do jeito / Que tem sido / Transcorrendo, transformando / Tempo e espaço navegando todos os sentidos".

Diante desses mistérios e de tantos outros, tenho rogado, com fervor, aos céus, tal como o poeta baiano: "Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei / Transformai as velhas formas do viver / Ensinai-me, ó Pai, o que eu ainda não sei / Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei".

Para aumentar a tragédia, a maioria de nós almeja, secretamente ou não, a total compreensão do mundo, bem como o controle sobre o mesmo.

Os cientistas adoram essa brincadeira, a qual só tem alegria quando se entende, com todo o nosso ser, que o objetivo daquela é viver o amor, expresso na relação com o outro.

Melhor é fazer as pazes com Cronos e mergulhar no Túnel do Tempo com Humberto Gessinger: "Te vejo infinita [...] Há um tempo certo para tudo / Para tudo uma razão (ou não) [...] Pra ouvir melhor, melhor apagar a luz"!

Comentários

albir disse…
Ótimo texto, Paulo, desassombra qualquer sexta-feira treze.
O tempo passa. O amor fica.
Bonito. :)

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