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PRECISAMOS DE MAIS ANNAS NO MUNDO
>> Clara Braga

Esse final de semana consegui assistir ao tão falado filme "Frozen". Confesso que estava receosa, tenho medo de assistir a filmes depois de ter ouvido tantos elogios. Normalmente deixo minha expectativa falar mais alto e acabo me decepcionando com um filme ótimo. Mas nesse caso, devo dizer, o filme superou todas as expectativas e elogios que eu já havia lido.

Antes de continuar, gostaria de entrar para o extenso grupo de pessoas que ironizam a situação do filme Praia do Futuro, e aviso logo que essa crônica está repleta de spoilers. Portanto, se ainda não viu o filme, melhor não ler, #Avisado!

Continuando, acho que finalmente alguém lá dentro da empresa Disney pensou: eu sei que nós podemos fazer filmes por diversos motivos, incluindo o puro entretenimento, mas temos que pensar que independente do motivo e da temática de cada filme, nós acabamos influenciando ou até formando opiniões do nosso público; e temos que levar em consideração que o nosso público alvo são crianças indefesas, acho que nossa responsabilidade é um tanto grande, né? Então, após essa reflexão, deve ter surgido, da forma mais delicada e sincera, o filme "Frozen".

Eu tive várias lições e reflexões ao longo do filme. Primeira: temos a síndrome de Deus, nos julgamos muito melhores do que os outros e nos sentimos no direito de punirmos as pessoas só porque elas não são iguais a gente. Não estou dizendo que nenhuma pessoa merece ser punida, estou dizendo que as tais bruxas más das nossas vidas nem sempre são más, a gente é que decide isso e pronto, não dá nem chance da pessoa mostrar quem ela realmente é. Seria tão lindo se percebêssemos que estamos perdendo a oportunidade de ganhar um grande amigo.

Segunda: pessoas que confiam demais em outras sem nem mesmo as conhecerem não estão erradas. Muito pelo contrário, essas pessoas podem até se decepcionar, mas o natural seria confiarmos em todo mundo até que essa pessoa nos desse um motivo para não mais confiarmos. O problema está nesse mundo louco de pessoas gananciosas e aproveitadoras no qual temos vivido nos últimos tempos. Nos tornamos desconfiados da nossa própria sombra e nem percebemos. Então, na próxima vez que você encontrar alguém que confia em todo mundo de graça, em vez de chamar essa pessoa de louca, admire-a, ela é uma das poucas que ainda acredita que o mundo tem jeito.

Terceira: temos que aprender de uma vez por todas que nossos sonhos e nossa imaginação são muito mais poderosos do que a gente imagina.

Quarta, quinta, sexta, sétima… enfim, poderia listar várias outras reflexões que o filme traz. Mas teve uma específica que, para mim, foi muito marcante. Cresci assistindo aos filmes da Disney que mostravam princesas indefesas que acabavam sofrendo até o momento do beijo de amor verdadeiro do príncipe. Isso sem contar que o príncipe era uma pessoa completamente aleatória que a princesa nunca tinha visto na vida, mas o seu "felizes para sempre" dependia dessa pessoa. Não vou negar que esse tipo de história faz as meninas suspirarem, mas não é isso que Anna, protagonista do "Frozen", vem mostrar.

Anna também faz suspirar, mas mostra que o ato de amor verdadeiro não depende do príncipe aleatório, e sim da família. Anna é salva quando ajuda sua irmã, sangue do seu sangue, que lutou por ela a vida toda! Tenho que confessar que me emocionei muito com isso! Finalmente, uma princesa não precisa de um príncipe para ser feliz, mas sim de um amor que pode estar em qualquer outro lugar, na nossa família, nas nossas amizades, nos nossos animais de estimação. Precisamos de mais Annas no mundo para entendermos que amor significa muito mais do que a relação amorosa entre príncipes do cavalo branco e princesas indefesas. Até porque, a gente bem lembra, esse príncipe do cavalo branco pode acabar sendo o Sérgio Malandro! Glu Glu!

Comentários

Anônimo disse…
Gente, encontrei esta cronica por acaso. Estava procurando uma para um trabalho de escola do meu sobrinho. Achei tão fantástica, que PRECISO VER ESSE FILME. Parabéns!!!
Anônimo disse…
Adorei clara, eu ja vi esse filme frozen e tive a mesma opinião que você comentou nessa cronica,obrigado você me ajudou muito na prova !!!!!
Anônimo disse…
Clara, achei interessante essa crônica a respeito do filme "Frozen", a propósito, junto com meus filhos, acredito ter assistido mais de três vezes. Então tenho acompanhado as demais crônicas de sua autoria aqui do Crônica do Dia e fiquei interessado em saber qual processo produtivo você utiliza para produzi-las e transcrevê-las. Me interesso em escrever crônicas, possuo algumas postadas em minha rede social, por isso meu interesse em aprimorar. Grato.

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