sexta-feira, 27 de junho de 2014

BRINCANDO COM O ESPAÇO >> Paulo Meireles Barguil

Sim, eu sei: não é possível falar de tempo sem falar de espaço. E vice-versa!

Perdoe-me as crônicas heréticas, nas quais viajei no tempo ignorando o espaço.

Não me julgue, também, insolente por discorrer, agora, sobre o espaço, deixando o tempo dormindo.

Fique em paz: não ousarei tentar explicar a Teoria da Relatividade de Einstein. Permita-me, contudo, dizer que, depois dela, o mundo ficou muito mais divertido.

O motivo: ela revelou que essas categorias não podem ser entendidas separadamente. A Ciência Moderna, baseada no fracionamento, na divisão do todo, no isolamento das partes, foi a nocaute, sem necessidade de contagem.

A vontade de controlar, ter todas as respostas, prever e determinar a vida revelou-se uma fantasia, por vezes, um pesadelo. Nascia uma Ciência sistêmica, holística, baseada na relação, no movimento, na transição, na transitoriedade e na impermanência!

É fácil perceber quão forte e caduco é o DNA da Ciência Moderna. Seus avanços nos fascinam, ao mesmo tempo em que explicitam limites, convidando a Humanidade a desenvolver outros olhares, sentires, pensares e agires.

A Seleção Natural, preconizada por Darwin, indica que a transformação é lenta, mas inexorável. Cada pessoa tem o poder de acelerar ou retardar esse processo.

Vivemos, portanto, numa realidade quadrimensional: as 3 dimensões espaciais – comprimento (ou profundidade), largura e altura – e a dimensão temporal.

A brincadeira no espaço – onde podemos navegar na altitude (em cima-embaixo), na longitude (leste-oeste) e na latitude (norte-sul) – oferece mais alternativas do que o divertimento no tempo – passado, presente e futuro.

Acrescente-se, ainda, o fato de que brincar no tempo é muito difícil: quando a gente pensa que está no presente, o passado já nos acalenta. E o futuro? Quase sempre está tão longe que não pode ser visto. Quando se aproxima, para nosso desespero, já foi lá para trás...

A cada geração, a Humanidade avança na descoberta dos mistérios da vida. Ela não se cansa desse folguedo, pois sabe que há sempre algo novo!

Brincar de esconde-esconde é legal, mas eu adoro o encontra-encontra...

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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

E um dia os descendentes dos descendentes dos descendentes dos descendentes dos descendentes dos descendentes dos descendentes dos descendentes dos nossos descendentes dirão que nós também tínhamos uma compreensão caduca do mundo. :)