terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PALMAS PARA O THE VOICE BRASIL >> Clara Braga

Nesse último domingo foi a grande final do The Voice Brasil, e pela votação em massa deu para perceber que as pessoas se mobilizaram para ver a final desse programa que salvou a programação televisiva do final de semana! Brasília estava especialmente ligada torcendo pela maravilhosa Ellen Oléria, que após surpreender a todos com apresentações de arrepiar, foi presenteada como a vencedora do programa!

Eu já conhecia o trabalho dela há um tempo. Fui a diversos shows aqui em Brasília, incluindo o show de lançamento do seu primeiro CD, o qual eu super recomendo a todos que gostaram de sua performance no programa. O trabalho da Ellen é cheio de personalidade, assim como ela, e é impressionante como ela consegue passar através de sua voz o carisma que ela mostrou ter no palco do programa, fazendo com que sua vitória fosse mais do que justa.

Porém, além de usar esse espaço para fazer uma homenagem merecida a artista, gostaria de compartilhar um fato sobre o qual fiquei pensando após conversar com uns colegas de trabalho. Logo após o anúncio da vitória, as redes sociais se encherem de comentários como "toma sociedade, ela é negra, gorda, lésbica e vitoriosa!". Toma sociedade? Qual foi a sociedade que reclamou do fato dela ter ganhado? Posso estar pouco antenada, mas não vi nenhum comentário preconceituoso a respeito da vitória de Ellen, muito pelo contrário, o que eu vi foram mais de quatro milhões de pessoas votando a favor dela.

Concordo que ainda vivemos em uma sociedade muito preconceituosa, e o fato de Ellen ser negra, gorda e lésbica com certeza faz com que ela passe por situações desnecessárias por causa de pessoas recaucadas. Mas se nem essas pessoas estavam falando nada, será que era necessário dizer que a sociedade estava tomando na cara?

Recentemente um vídeo do Morgan Freeman falando sobre racismo fez um mega sucesso nas redes sociais, e nesse vídeo ele dizia que o racismo só vai acabar quando pararmos de falar sobre ele, quando pararmos de ter essa necessidade de chamar o outro de negro ou de branco, ou seja, quando pararmos com essa mania besta de querer rotular tudo. Ellen ganhou porque é batalhadora, canta muito, tem presença de palco, é uma grande compositora, ou seja, uma artista completa. Ela ganhou porque fez por onde, correu atrás, foi humilde, e agora está colhendo os frutos de um trabalho honesto, isso sim tem que ser falado. Se ela é negra ou lésbica tanto faz, isso não faz ela cantar melhor ou pior. Se a sociedade tomou ou não na cara, tanto faz, deixa quem é preconceituoso se morder de raiva até não aguentar mais. O que temos que aplaudir é o trabalho da Ellen e o fato do resultado ter sido justo, como poucas coisas no Brasil são.

Ah, e vamos aplaudir também a rede globo, que finalmente fez valer a pena ligar a televisão em um domingo a tarde.



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Um comentário:

André Luiz Ferrer Domenciano disse...

Julgar, rotular, classificar, enfim, quaisquer ações que objetivam diferenciar um ser humano do outro está na base do racismo. Texto essencial Clara Braga.