Pular para o conteúdo principal

A TORCIDA MAIS LINDA É FIEL>> Mariana Scherma


Vendo a festa dos corintianos no Japão, eu não me segurei e liguei para o meu pai só pra avisar que a maior herança que ele me deu foi o amor pelo Corinthians. Já peço desculpa aos outros torcedores e aproveito pra dizer que esse texto é puro amor pelo timão, quer dizer, pela torcida do timão. Sei que tem muita gente que torce o nariz para os corintianos e sei também que nenhum fanatismo faz bem. Mas não posso deixar de admirar um bando que vai junto acompanhar o embarque do time do coração, que faz churrasco no meio do caminho e vira amigo de infância de qualquer um que tenha a marca alvinegra no coração.

Nem me importo tanto se o Corinthians ganha ou não do Chelsea no domingo, mas isso eu digo por mim – sei que minha vida vai continuar igual. Agora, pela torcida, sei que vou roer a unha, sei que vou andar de um lado para o outro durante o jogo, sei que vou sofrer um pouco. Ou muito. Porque eu detesto assistir aos corintianos sofrendo. Independentemente da conta bancária, corintianos acabam sendo iguais no amor – e isso posso falar por mim: é um dos amores mais bonitos, mais fiéis, mais engraçados. Milhares de brasileiros foram ao Japão pra ver, pra dar força, pra fazer o papel de 12º jogador e, se não fosse o excesso de casacos por conta do frio, eu poderia jurar que o Japão era o Pacaembu mesmo. No Chelsea X Monterrey, os corintianos gritavam timão-ê-ô. É lindo.

No fundo, aposto que todos nós corintianos sabemos que a derrota nesse domingo pode acontecer. Tem 50% de chance, aliás. E se vier, quer apostar quanto que todo esse amor vai continuar intacto? Ou até maior... Ser corintiano é o único casamento eterno. Ninguém pede divórcio do Corinthians. No máximo, o Corinthians provoca divórcios.

Uma vez, um vascaíno sem graça me disse que o Corinthians nunca ganharia uma Libertadores. Era a sina do timão, segundo ele, ser zoado eternamente por não ter essa taça. Na hora fiquei quieta, hoje penso: rá pra esse vascaíno! A chateação que eu senti quando ouvi isso da boca dele foi por mim e por mais 30 milhões de loucos apaixonados. Felizmente o Corinthians me vingou, quer dizer, a felicidade de 30 milhões de pessoas foi a melhor vingança. É só que acho errado torcer contra tanta gente, tanta gente apaixonada. Não se ri nem se roga praga num amor tão grande.

E só um recado a esse vascaíno e a todos os outros anticorintianos: vocês podem duvidar da vitória e têm todo o direito de rir num caso (bate três vezes na madeira) de derrota. Só não duvidem de que isso possa tirar o orgulho de ser corintiano. Se a administração Dualib e a segunda divisão não tiraram, não vai ser uma mera derrota nesse domingo que diminuirá o amor. Talvez porque ser louco pelo Corinthians tenha a ver com genética, né, pai? Boa sorte pra gente! 

Comentários

Leonardo disse…
Vamos ganhar!
Aqui em Pará de Minas (MG) tem um corinthiano fiel!
Parabéns pelo texto.
Vai corinthians!
Leonardo
Anônimo disse…
Texto maravilhoso. Isso é ser corintiano. Isso é ser Fiel. Vaaaaai Corinthians!!!
Renato disse…
Agueeeeenta coraçao corintiano...demais
Ana González disse…
Sei não se vai ganhar,Mariana e amigos, mas que a torcida vai fazer uma festa, ai isso vai!!! E já ter chagado lá, valeu muito também! rsrsrs...

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …