terça-feira, 6 de novembro de 2012

AINDA TEM JEITO >> Clara Braga

Outro dia sai para fazer um lanche e algo surpreendente aconteceu, aliás, surpreendente mesmo foi esse algo ser surpreendente, pois nada mais deveria ser do que o normal de todas as pessoas.

Bom, vou explicar melhor para que todos possam entender. Estava eu sentada a uma mesa perto da entrada do restaurante, que ficava em uma rua aberta, não tinha muita proteção, e claro, sempre que estamos em lugares abertos podemos contar com a bipolaridade infalível do tempo de Brasília, estava um tempo normal, mas de repente caiu um dilúvio que ninguém sabe de onde veio.

As pessoas que estavam lanchando esperaram mais um tempo até a chuva melhorar para poderem ir embora, lucro para o restaurante, que acabou vendendo mais do que o esperado para essas pessoas que, já que não podiam sair dali, como eu, pediram mais uma coisinha para comer. Mas também nada de aparecer novos clientes, a não ser por um casal que vinha correndo de baixo de um guarda chuva e mesmo com a proteção chegaram um pouco molhados ao local. A mulher foi logo procurar uma mesa para se sentar enquanto o homem fechava seu guarda chuva, olhava para a minha mesa, abria um largo sorriso e falava: desejo de grávida, sabe como é né?

Na verdade eu não sei como é, nunca estive grávida, mas imagino como seja, e imagino mais ainda que aquele com o sorriso aberto era o pai da criança que estava por vir e, em qualquer situação, arrumava um jeito de compartilhar sua felicidade com quem quer que fosse. Achei o cara muito simpático, retribui o sorriso e fiz cara de quem entendia perfeitamente como era desejo de grávida.

Um tempo depois, uma família de 5 pessoas, que também havia saído de casa quando o tempo ainda estava bom, cansou de esperar a chuva que nunca parava passar e decidiram ir embora. Quando estavam em pé a um passo de se molharem muito, parecia que eles estavam revendo a decisão, quase arrependidos de não esperarem mais um pouco. Eis que nesse momento surge o pai do sorriso aberto com seu guarda chuva e se oferece para levar a família até o carro protegidos do temporal! A família, assim como eu que estava assistindo tudo de camarote, ficou surpresa, nenhum desconhecido nunca deve ter sido tão atencioso e simpático com eles antes! Eu mesma tinha um guarda chuva dentro da minha bolsa, e já tinha me achado sortuda de ter como me proteger da chuva, mas em nenhum momento me passou pela cabeça que eu pudesse emprestar o guarda chuva a outras pessoas! Será que a gente chegou a ponto de sermos tão egoístas que a gente já nem percebe que as vezes podemos ser úteis para outras pessoas?

Bom... não sei, só sei que daqui em diante prometi a mim mesma que vou prestar mais atenção e ver se não posso emprestar meu guarda chuva para alguém em um momento de aperto, ou qualquer outra ajuda que eu possa oferecer. Ah, e vou rezar para que o filho do homem do sorriso aberto herde a simpatia e a generosidade do pai, aliás, Deus, aproveita a forma desse que está por vir e manda uma geração inteira de pessoas de bom coração que ajudam o próximo, estamos precisando de pessoas assim para nos mostrarem que o mundo ainda tem jeito!

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