Pular para o conteúdo principal

AH, MEUS 15 ANOS >> Clara Braga

Ela é uma menina pequenininha, miudinha, magrinha, de família bem humilde, mas de um coração que se aproxima ao tamanho do tão famoso coração de mãe! Chegou ao grupo há um ano, e facilmente se tornou muito especial para todos. Aliás, especial é uma palavra muito boa para se referir a essa pequena menina, não só por ela ser importante para todos, mas também por precisar de alguns cuidados especiais em alguns momentos, apesar de pouco parecer que precisa.

Nesse mês de novembro, graças a uma dessas pessoas de coração gigante que a gente acha que não existem mais, mas que de vez em quando aparecem para mostrar que o mundo ainda tem salvação, essa mocinha teve a chance de realizar um grande sonho. Ela teve seu tão esperado baile de debutante, com direito a padrinho esperando na beira da escada, vestidos longos com luvas e muita valsa!

Eu confesso que há nove anos, quando eu estava fazendo meus 15 anos, eu fazia parte da turma rebelde da escola, pessoas que ouviam grunge, se vestiam de preto e achavam que festa de quinze anos era coisa de patricinha. Não me arrependo nem um pouco da forma como comemorei meu aniversário, troquei o dinheiro que seria gasto em uma festa para comprar o passaporte para os três dias de festival de música que ia ter na cidade, isso sim valia a pena para mim na época, e ainda hoje prefiro shows de música à festas chiques de aniversário.

A grande questão é que quando somos adolescentes, achamos que precisamos afirmar certas coisas só para nos sentirmos parte de um grupo, então eu fingia que não achava bonita essas festas cheias de garçons e fotógrafos, então acabei indo a poucas, talvez uma ou duas no máximo, e sempre bancando a durona que achava um saco estar ali, mesmo que quando eu me olhasse no espelho eu me achasse mais bonita toda arrumada do que com aquelas camisetas de bandas enormes, que cabiam umas duas de mim! Mas não posso reclamar, foi uma ótima fase da minha vida!

Agora, já com vinte e quatro anos, já não tenho que fingir não gostar de algo para fazer parte de um grupo, entendo que amigos são aqueles que vão estar com a gente independente dos nossos gostos, inclusive aqueles gostos bem estranhos. E então, graças a esse amadurecimento, pude curtir um baile de debutante com direito a me emocionar e tudo mais! E o mais legal disso tudo é que tive o gostinho de aprender com essa mocinha de apenas quinze anos que com certeza temos que ouvir e respeitar os mais velhos, mas não devemos nunca pensar que não aprendemos nada estando no meio de pessoas mais jovens que nós, pois as vezes só eles podem nos fazer viver momentos pelos quais nós não passamos quando eramos mais novos, seja lá por qual motivo.

Comentários

Zoraya disse…
Nossa, sei exatamente o que você está sentindo, e essa capacidade de sermos jovens por tabela só alarga nossa visão de mundo. Muito legal

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …