terça-feira, 27 de novembro de 2012

AH, MEUS 15 ANOS >> Clara Braga

Ela é uma menina pequenininha, miudinha, magrinha, de família bem humilde, mas de um coração que se aproxima ao tamanho do tão famoso coração de mãe! Chegou ao grupo há um ano, e facilmente se tornou muito especial para todos. Aliás, especial é uma palavra muito boa para se referir a essa pequena menina, não só por ela ser importante para todos, mas também por precisar de alguns cuidados especiais em alguns momentos, apesar de pouco parecer que precisa.

Nesse mês de novembro, graças a uma dessas pessoas de coração gigante que a gente acha que não existem mais, mas que de vez em quando aparecem para mostrar que o mundo ainda tem salvação, essa mocinha teve a chance de realizar um grande sonho. Ela teve seu tão esperado baile de debutante, com direito a padrinho esperando na beira da escada, vestidos longos com luvas e muita valsa!

Eu confesso que há nove anos, quando eu estava fazendo meus 15 anos, eu fazia parte da turma rebelde da escola, pessoas que ouviam grunge, se vestiam de preto e achavam que festa de quinze anos era coisa de patricinha. Não me arrependo nem um pouco da forma como comemorei meu aniversário, troquei o dinheiro que seria gasto em uma festa para comprar o passaporte para os três dias de festival de música que ia ter na cidade, isso sim valia a pena para mim na época, e ainda hoje prefiro shows de música à festas chiques de aniversário.

A grande questão é que quando somos adolescentes, achamos que precisamos afirmar certas coisas só para nos sentirmos parte de um grupo, então eu fingia que não achava bonita essas festas cheias de garçons e fotógrafos, então acabei indo a poucas, talvez uma ou duas no máximo, e sempre bancando a durona que achava um saco estar ali, mesmo que quando eu me olhasse no espelho eu me achasse mais bonita toda arrumada do que com aquelas camisetas de bandas enormes, que cabiam umas duas de mim! Mas não posso reclamar, foi uma ótima fase da minha vida!

Agora, já com vinte e quatro anos, já não tenho que fingir não gostar de algo para fazer parte de um grupo, entendo que amigos são aqueles que vão estar com a gente independente dos nossos gostos, inclusive aqueles gostos bem estranhos. E então, graças a esse amadurecimento, pude curtir um baile de debutante com direito a me emocionar e tudo mais! E o mais legal disso tudo é que tive o gostinho de aprender com essa mocinha de apenas quinze anos que com certeza temos que ouvir e respeitar os mais velhos, mas não devemos nunca pensar que não aprendemos nada estando no meio de pessoas mais jovens que nós, pois as vezes só eles podem nos fazer viver momentos pelos quais nós não passamos quando eramos mais novos, seja lá por qual motivo.

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Um comentário:

Zoraya disse...

Nossa, sei exatamente o que você está sentindo, e essa capacidade de sermos jovens por tabela só alarga nossa visão de mundo. Muito legal