Pular para o conteúdo principal

S.C.M >> Clara Braga

Existe um fenômeno, um tanto inexplicado, na minha opinião, que algumas pessoas acreditam e outras já não levam tanta fé nele. Esse fenômeno que insiste em nos perseguir é a tal da coincidência.

Eu entendo coincidência como um fato, que tem o seu leve toque de mistério, que acontece mas que a gente não sabe explicar bem como e nem por quê. A partir dessa definição eu posso dizer que eu até acredito que a coincidência exista, mas como não acredito muito que uma coisa possa acontecer por acaso, assim sem motivo nenhum, simplesmente acontecer, eu acabo não levando muita fé nela. Acho que tudo que acontece com a gente tem um porquê, mesmo que esse porquê não seja aparente.

Por exemplo, se estamos pensando em uma música e ela toca no rádio, como com certeza já aconteceu com a maioria das pessoas, eu acho que tem um porquê, não que seja apenas coincidência. Assim como também acho que tem um porquê do nosso telefone tocar e ser exatamente a pessoa em quem a gente vem pensando nos últimos tempos.

Mas mesmo acreditando nessas definições e colocações sobre a coincidência e os porquês que eu falei, existe um tipo de coincidência que vem acontecendo comigo nos últimos tempos que eu ainda não consegui encontrar onde pode estar o porquê. Só sei que é um tipo muito chato que acabou por desenvolver em mim algo que eu gosto de chamar de S.C.M, mais conhecida como Síndrome da Culpa pela Morte.

O que é a síndrome? Vou explicar: Quando a Amy Winehouse, cantora que eu adorava, veio fazer show aqui no Brasil, a minha grande dúvida em relação a ir ou não ao show dela era a seguinte: eu podia sair de Brasília, pagar passagem, pagar o ingresso do show, pagar hospedagem em algum lugar, gastar a maior grana para chegar lá e ela estar tão bêbada que não ia conseguir nem fazer o show e eu ia acabar me decepcionando. Ou então eu poderia não ir e correr o grande risco de nunca mais ter a oportunidade de ir a um show dela, já que do jeito que ela estava bebendo e se drogando ela não ia demorar muito para morrer.

Maldita hora em que eu fui falar isso e decidi não ir ao show. Não deu outra, logo depois apareceu ela morta. Nossa, mas que boca a minha, hein! Será que eu deveria me sentir um pouco culpada? Será que mandei energias negativas para ela pensando assim? A resposta eu não sei, mas sei que nesse momento minha síndrome, por mais absurda que possa parecer, começou a se desenvolver.

Mas tudo bem, agora você deve estar pensando algo como: "Ah Clara, nem vem, todo mundo sabia que a Amy ia morrer, não foi uma coincidência tão grande assim você ter falado isso!" Acontece que não parou por ai. Vou dar outro exemplo para você ver como a minha paranoia de achar que eu estou matando os artistas tem fundamento.

Outro dia, contando para um amigo sobre os show que tinha na Austrália na época em que morei lá, falei que fiquei triste porque na semana em que eu voltei para o Brasil, a Whitney Houston ia fazer o primeiro show dela depois de ter ficado parada tanto tempo lá em Sydney, perto de onde eu estava morando, e eu tinha muita vontade de ouvir ela cantar ao vivo, e as chances dela vir para o Brasil eram pequenas, enquanto as chances dela acabar se envolvendo com drogas de novo já não eram tão pequenas assim.

Terminei de falar isso, virei para cumprimentar uma pessoa, e nisso meu amigo abriu o facebook dele pelo celular, foi aí que ele soltou a bomba: "Clara, eu estou com muito medo de você! Acabaram de achar o corpo da Whitney Houston dentro de um quarto de hotel! Ela está morta, Clara! Por favor, faz um favor para mim, nunca diga que você está com saudade de mim ou que está com muita vontade de me ver, porque pelo visto, quando você está com muita vontade de ver alguém essa pessoa morre!"

Bom, não descobri ainda se esse fenômeno da morte acontece só com artistas que eu quero ver ao vivo ou se acontece também com pessoas próximas. Preferi não fazer o teste. Só sei que nunca mais falei que queria ver show de ninguém, só do Foo Fighters, da Joss Stone, do Bob Dylan, do The Coors, da Alicia Keys, do Bruno Mars, do Paramore, da Roberta Sá, da Maria Gadú, do Chico Buarque, do Marcelo Camelo, do Biquini Cavadão, do John Mayer e mais vários outros.

Mas não se preocupem, se algum desses aparecer morto por agora, aí eu começo a falar que quero ver show do Justin Bieber, do Michel Teló, dos Back Street Boys (se é que eles ainda existem), do Calypso, etc.

Comentários

É, Clara, a fama não é mesmo fácil. Agora os artistas têm que enfrentar também sua "maldição". :)
Zoraya disse…
Ha, ha, ha, muito legal, Clara! Por favor, nao diga mesmo que tem saudades da Joss Stone. Quanto ao BackStreet Boys, eles ainda tocam, mas mudaram o nome para BackStreet Oldmen.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …