sábado, 14 de agosto de 2010

FACES DO AMOR [Debora Bottcher]

"Sabe qual é o meu sonho secreto? Que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor a minha companhia. (...) Ainda creio que você, quando eu menos esperar, possa me chegar com um verso em atitude." (Fernanda Young em “Aritmética”)

E então: valerá a pena viver uma vida inteira à espera de um amor impossível? De um amor que é lembrança e miragem no pensamento de alguém? Para quem seremos imagem distante, recordação nebulosa de uma época que ficou parada no tempo?

A história dá conta de muitos amores assim. De entregas que só a morte amenizou. De sentimentos que nenhuma distância desfez. De lágrimas que, dia após dia, cultuaram saudades insondáveis...

De repente, penso nas pessoas solitárias, aquelas em busca de um amor. É uma longa e árdua caminhada - encontrar um par não é tão fácil como se pode supor.

Eu costumo dizer que são os semelhantes que se atraem - ao contrário da regra de que os opostos é que se complementam. Depende... Há tantas variáveis nesse contexto, que só mesmo a convivência pode provar.

Entre o fel e o mel do dia-a-dia, conseguir que o amor sobreviva aos impasses, dores, frustrações e derrotas particulares, é uma vitória ímpar.

Mas fato é que hoje insistir pertence ao passado: o amor é emoção descartável, passível de troca ao primeiro impasse, ao mais leve dissabor, a mais suave ventania.

A intensidade é outra, outros também são os propósitos. O mundo moderno nos deu tanta impaciência, que não cabe mais em nossas vidas nenhum tipo de estagnação.

De toda forma, por mais que seja amargo e doloroso o desencanto das perdas e a frustração do amor sem retorno, a pergunta que me faço é se eram felizes nossos antepassados - com sua imensa profundidade -, ou o somos nós - com essa superficialidade latente...

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7 comentários:

Carla Dias disse...

Assim como o amor, a felicidade é dos destemperos. Cada um de nós reconhece esses sentimentos de uma forma muito pessoal.
Particularmente, gosto de pensar que, em algum momento da nossa vida, o amor sobreviva às urgências e impaciência.

Debora Bottcher disse...

Carla, querida,
Eu também gosto de pensar assim - embora o dia a dia ao lado de alguém, vez ou outra me grite o contrario. Mas como a gente ainda insiste, essa 'utopia' fica real. E o sonho permanece... :)
Super beijo, sempre.

Anônimo disse...

O espaço entre mim e você.
Não sei onde estamos. Parecíamos tão pertos, há alguns quarteirões. Minha casa da sua. Mudaram as cores? Talvez por isso estejamos perdidos. Como era mesmo o seu muro? Ah! Não havia muros, eram grades como eram as minhas. Estranho, tenho a sensação de ter visto pedras ao redor do seu jardim, não tenho visto o verde tapete. Há flores ainda? Algumas paredes têm flores, podemos plantar nas nossas, o que você acha? Deixaria mais alegre apesar do concreto, sentiríamos um leve perfume lilás. É verdade, esqueci dos espinhos. Como machucam! Não, não vamos mais sangrar, deixaremos do jeito que está o muro cinza, e o espaço entre mim e você. Antes, o céu está azul?

Isa disse...

Textos como esse seu me fazem pensar nessa árdua espera de muitos por um grande amor. Não do amor perfeito, mera ilusão, mas sim daquele que o completará nas diferenças. Sim, acredito que vale à pena. Paciência é uma virtude.

Cada um tem sua forma de amar, e mesmo assim, o amor é único.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Debora, sabe que às vezes também fico me perguntando isso. E eu, que sempre fui da superficialidade imensa, estou experimentando a profundidade latente. :)

vanessa cony disse...

Costumo estar atenta ao blog.Há pouco descobri vcs,massomente hoje li esse texto.Penso no prazer que é falar de amor,sentir o amor e ser amado.Sei que junto a ele encontramos tb muitos outros sentimentos.Talvez seja por isso que ele é sempre tão intenso,talvez...
Não sei dizer,aliás é o que venho tentando entender.
Sou nova aqui neste mundo blogueiro,mas me encantei com seu texto.Assim como vc tento entender e explicar o que aos meus olhos parece não ter explicação.
Beijos carinhosos.

sandra disse...

Débora querida, estou aqui em tarde de chuva e gripe lendo seus lindos textos.
Que bom que voce retomou a escrita. que bom poder contar com sua visao nublada da vida, linda, melancolica, como a tarde de hoje, que tambem faz parte de todos os dias.
Acho um privilegio ser sua amiga e curtir seu olhar único sobre tudo. Sabe o que? a gente se ergue,naturalmente, vc ja pensou nisso?
Agora, contemplar a queda e falar do tombo é pra muito poucos..
Beijos,

Sandra