terça-feira, 17 de agosto de 2010

MINHA MAIS NOVA DESCOBERTA
>> Clara Braga

A vida está definitivamente cada vez mais louca! Muita coisa para fazer, muito trabalho, a cabeça ocupada com milhares de coisas e, quando se senta para escrever, nada vem! É muito mais fácil sentar para escrever quando já se sabe sobre o que falar, mas sentar sem uma ideia e tentar puxar do nada, como eu gosto de fazer às vezes, pode ser meio frustrante quando nada de interessante aparece. As únicas coisas que vêm em mente nesses momentos são as aulas que se deve preparar, os trabalhos que devem ser entregues na data certa, os compromissos, as aulas a serem assistidas, mas nada realmente muito interessante que dê vontade de escrever e colocar no mundo para que todos vejam.

Escrever, para mim, é isso mesmo, é tirar algo de dentro de mim e jogar para o mundo, para que todos compartilhem isso comigo. Não vou aqui ousar dizer que é um processo parecido com o parto, pois eu mesma nunca passei por essa experiência, mas que é um processo muito íntimo isso é. E é exatamente por ser tão íntimo que eu não me permito escrever de qualquer forma.

Um desses dias, em uma dessas minhas crises de sentar para escrever e não conseguir, depois de me sentir péssima, de ler vários textos para me inspirar, assistir filmes, ouvir músicas e o que mais eu pudesse fazer, acabei lembrando de uma das várias partes interessantes da palestra que a Martha Medeiros fez aqui recentemente. Ela contou que diariamente recebe vários e vários e-mails de pessoas perguntando para ela como que se faz para virar uma grande escritora. Até ai tudo bem, acho que em algum momento todo mundo que escreve já pensou em ser um grande escritor. A verdadeira questão desses e-mails que ela recebe está no fato de que a maioria das pessoas que fazem esta pergunta que não quer calar são meninas com seus 14,15 anos. Então ela disse que sempre responde a mesma coisa: "Primeiramente, vá viver!"

Essa frase não poderia ter feito mais sentido pra mim do que fez nesse momento de desespero pelo qual eu passei. A verdade é que não adianta nós — que gostamos de escrever sobre coisas da nossa vida, coisas que fazem parte do nosso codidiano — só dependermos de uma coisa para ter assuntos para escrever, nós mesmos! A gente precisa viver, dar chance para que as coisas aconteçam, estar espertos para ver essas coisas acontecerem ao nosso redor e tirar delas o melhor possível.

É bem verdade que no momento em que minha ficha caiu e eu percebi isso tudo, meu problema continuou existindo, ele não foi resolvido de imediato e eu não comecei a escrever como se fosse Chico Xavier psicografando. Pelo contrário, percebi que para resolver meu problema eu não poderia continuar sentada na frente do computador 24h por dia fazendo trabalhos. Alguma hora eu teria que sair dali e viver. E é por isso que hoje vim aqui compartilhar essa grande descoberta que eu fiz nessa útima semana, e ao mesmo tempo aproveito para fazer uma apelo geral: Primeiramente, vivam!

Partilhar

3 comentários:

Maia disse...

Clarinha,
Escrever não é fácil, mas viver também não é. Fazer que as coisas pareçam fáceis é uma capacidade que você tem ao escrever. Essa é a impressão que temos ao ler essas simples linhas de agradável e fácil leitura. Parabéns !!!!!Beijos !!!
Já fico torcendo pela próxima terça-feira...

Rinaldo Morelli disse...

Clara, as idéias devem ser anteriores ao momento de sentar de escrever. Se algo lhe chegar repentinamente poderá ser um caso de psicografia e mediunidade.
O mundo pede comentários. A vida é preciso ser vivida sem distração. Sentir e perceber é um desafio de cada instante.
Tem tanta coisa que pode se transforma em crônicas de terça-feiras...

ana disse...

Clarinha,
Sua descoberta é uma lição para todos. A vida é uma grande escola.
Lembra daquele tio "sem noção", aquele que te deu inspiração para um texto excelente. Ele encheu o saco das suas tias a vida toda mas só você teve talento para responder a altura. Ana Braga