terça-feira, 24 de agosto de 2010

AH, A INOCÊNCIA >> Clara Braga

Nesse final de semana foi a primeira vez que minha banda tocou em um pub sem dividir palco com ninguém, tocamos sozinhos a noite toda. Na hora é tudo muito bom, claro, é uma experiência que a gente sempre quis ter, mas para isso tivemos que ensaiar muito e, claro, colocar mais e mais músicas no nosso set list. A hora de decidir quais músicas tocar é sempre um sofrimento, cada um quer uma música diferente, não gosta da música que o outro escolheu e vira uma confusão. Até que todas as músicas já estejam escolhidas leva muito, mas muito tempo.

Em uma dessas discussões das músicas que tocaríamos surgiu a idéia de tocarmos Mamonas Assassinas. Eu confesso que a princípio fui a única que ficou meio relutante, não achei que teria muito a ver com o resto do repertório, mas como fui voto vencido acabei tendo que desenterrar meu CD dos Mamonas lá do fundo do meu baú.

Enquanto ouvia as músicas só pensava o quanto pode ser bom ter a inocência de uma criança ou o quanto pode ser ruim também. Eu podia jurar que as pessoas morriam de rir de Mamonas Assassinas porque eles se vestiam engraçado, o vocalista fazia uma voz diferente pra cantar e porque eles tinham uma variedade de letras incrível, que ia desde uma simples volta ingênua no Chopis Centi até o Mundo animal. Que outra banda consegue falar de assuntos assim tão diferentes em um só cd? Nossa, eles eram realmente incríveis! É claro que algumas besteiras você sempre entende, quando eles falam do robocop gay por exemplo, acho que a palavra gay já está bem falada, já dá para todo mundo entender. Agora quando eu ouvi à música Vira-vira, aí sim eu me perguntei como minha mãe deixava eu não só ouvir, mas também dançar essas músicas!

Vamos analisar algumas frases da música: "Fui convidado pra uma tal de suruba". Pra mim suruba era um lugar onde as pessoas faziam uma festa tranquila, com bebidas e música, e conversavam, SÓ conversavam. "Depois de uma semana, ela voltou pra casa toda arregaçada, não podia nem sentar!" Nossa, coitada da Maria né, foi pra tal da festa que fica na Suruba e ainda apanhou, tá toda machucada a pobre coitada. "Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém". Tudo bem que passar a mão na bunda é algo que não se faz, mas também não precisa virar algum tipo de canibal e comer a pessoa porque ela fez isso, briga com a pessoa, os mais fortes e esquentados até batem na pessoa, mas comer eu realmente nunca tinha ouvido falar em ninguém que fazia isso! "Tu ficaste tão bonita monoteta, mas vale um na mão do que dois no sutiã". Monoteta?...

Bom, a música mesmo tem várias outras frases que eu não entendia, mas eu também não teria nem como explicar o que eu entendia. Acho que, na verdade, eu nem me preocupava muito com isso, só queria mesmo curtir! Mas agora fico me perguntando: será que eu era a única ou ninguém da minha idade realmente entendia?

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2 comentários:

Rinaldo Morelli disse...

Clara, acho que essse assunto ainda renderia mais.
Eu não sei se os Mamonas faziam um serviço ou um des-serviço à nossa cultura e às nossas crinças.
Dizem que partiram cedo para não continuarem a falar besteiras...sei lá.
Acredito que devemos ter uma postura mais crítica ao que midia veicula, oferece, impõe.
Suas reflexões partem e seguem nesta direção. Acho legal isto.

Andrea Pio disse...

Clara... também não entendia muitas das músicas dos mamonas... e mesmo assim, curtia. Talvez porque me contagiava com a alegria deles no palco, ou com o ritmo... ou apenas com o fato de serem super originais.
Abço,
Andrea