Pular para o conteúdo principal

CAMINHO DA ROÇA >> Clara Braga

Acho curioso reparar que todo mundo tem mania de dar nome às coisas, mas, depois de um tempo, nem sempre o significado que aquele nome tem continua representando o que nós gostaríamos que ele representasse.

No final da semana passada, me convidaram para ir a uma festa junina, mas, se já estamos no mês de agosto, não deveria se chamar festa junina, não é mesmo? E foi ai que eu lembrei que a primeira festa junina que eu fui esse ano foi no mês de maio, ou seja, há 4 meses que estamos tendo festas juninas aqui em Brasília!

Eu mesma não tenho a menor idéia de como aconteceu, só sei que pra mim, algum dia alguém muito inteligente teve a idéia brilhante de, no mês de junho, pegar um monte de comida gostosa que todo mundo come, dividir em diferentes barraquinhas e chamar isso de Festa Junina.

Se você gosta de churrasquinho, pastel, cachorro-quente e muitos doces, sabe muito bem que pode comer qualquer uma dessas coisas em diversos lugares pela cidade, aliás o que não falta hoje em dia é carrocinha de cachorro-quente na rua. Mas comer em qualquer lugar no meio da rua e comer em uma festa junina nunca vai ser a mesma coisa. As pessoas esperavam anualmente por esse momento em que podem comer um cachorro-quente esperando o salsichão ficar pronto.

Exatamente por não ser a mesma coisa, alguma outra pessoa muito mais inteligente, provavelmente cansada de esperar o ano inteiro por esse momento, teve uma ideia mais brilhante ainda. Começou a pegar essas festas juninas e dividir ao longo do ano, fazendo várias festas juninas fora de época. Quem nunca foi a uma festa junina no mês de julho? Ou no mês de agosto?

Só tem um problema nessa história toda, festa junina no mês de julho não é junina. E agora, o que fazer? Vamos ter que parar de fazer festas em julho por causa do nome? NUNCA! Vamos chamá-las de festas julinas! E agora, a cada ano que passa, as festas juninas ocupam mais um mês, já temos festas agostinas, maioninas, abrilinas e assim por diante. Acredito que o objetivo seja completar o ano todo, o que eu não vou achar ruim. Aliás, proponho que a gente faça isso com o Natal também, o que acham?

Comentários

fernanda disse…
É como tentar convencer os baianos que carnaval é só em fevereiro...rs. Tem jeito não. Acho que todas essas festas tinham que se chamar festas brasilinas, isso sim. O brasileiro quer é fazer festa o ano todo, ignorando solenemente oq determina o calendário...rs
Clara, sou antiquado: não vou a festa junina que não aconteça em junho. :)
Alcibiades disse…
Ai o saco do papai noel não aguenta! bjs.nêgo

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …