quarta-feira, 26 de março de 2008

PALCOS DE SAMPA >> Carla Dias >>

Quando vim para a capital de São Paulo, em 1995, sabia que seria uma mudança para a intensidade. Santo André, minha cidade natal e onde morei até os 25 anos de idade, era mais pacata culturalmente, na época, mas somente no que se referia a espaços culturais e bares, pois nela e nos seus arredores, no ABC Paulista, surgiam compositores, instrumentistas e intérpretes, e muitos deles eram inquestionavelmente talentosos. Faltavam palcos, mas não quem fosse capaz de garantir uma boa apresentação sobre eles.


Élio Camalle interpreta a canção “ Caso”. Compositor, violonista e cantor que muito admiro – www.camalle.com.

Eu não ouço rádio, então ando meio por fora do que anda acontecendo por aí, comercialmente falando, mas conheço as tendências e os artistas com seus sucessos relâmpagos, não só do Brasil, mas de outros países. Continuo a buscar um diferencial na música que me proponho a apreciar. Não consigo usufruir de uma música que não mexa comigo pela sua letra ou sua parte instrumental; se der sorte, pela combinação de ambas.


Bocato – um dos mais peculiares trombonistas do cenário da música instrumental. Também já tocou com diversos artistas, entre eles Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Rita Lee e Ney Matogrosso.

Chegam em São Paulo artistas de todos os cantos do país. Há muitos espaços para apresentarem os seus trabalhos, mas a concorrência é acirrada. Justamente nessa diversidade é que mora a riqueza cultural da cidade, que não é feita somente de grandes casas de espetáculo. Nos bares e centros culturais dos bairros é onde boa parte da mágica acontece. Nas salas de estar desses artistas nascem grandes idéias, entre um cafezinho e outro, e que se transformam em espetáculos inspiradores.


Virgínia Rosa no videoclipe Amado Samba, de Luísa Maita, do seu novo CD Samba a Dois. Uma intérprete que canta compositores brasileiros com graça e presença - www.virginiarosa.com.br.

Tenho sorte de poder estar próxima desses compositores, instrumentistas e intérpretes. Cada qual, através das suas percepções, enriquece esse pedacinho do Brasil que é São Paulo. Tenho sorte, também, por conhecer pessoalmente estes que citei nesta crônica. São pessoas que admiro, por quem torço e que desfilam pelos palcos de Sampa.


Robson Fernandes no palco do SESC Pompéia, apresentando-se no Encontro Nacional de Harmonica 2007. Talentoso gaitista que vem fazendo um belo trabalho - www.robsonfernandes.com.

Eu quis mostrar um pouquinho do que acontece aqui em São Paulo na área musical. Porém, há muito que se mostrar e vou preparar crônicas específicas a respeito desses artistas. Espero que, dessa forma, vocês possam conhecer melhor o que vejo de perto e admiro mais a cada dia... A cada show... A cada café na companhia dos amigos.


Kléber Albuquerque canta “Manjedoura”, de sua autoria. Meu conterrâneo; compositor-poeta dos mais inspirados - www.kleberalbuquerque.com.br.


www.carladias.com



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3 comentários:

Marisa Nascimento disse...

Carla, que mimos mais agradáveis esses com que você nos presenteou. É uma diversidade de melodias e letras, porém, com qualidade incontestável. Já anotei as páginas pessoais dos artistas para poder conhecer um pouco mais de cada um deles, porque muito me agrada o puro, ainda não corrompido pela mídia, sem querer fazer banais generalizações.
Parabéns pela iniciativa!

albir disse...

Carla,
vou ficar aguardando ansiosamente as próximas crônicas. Elas têm sido verdadeiras aulas de arte e generosidade. Generosidade com os artistas, por divulgar-lhes o trabalho, e generosidade conosco, pela qualidade do que você avaliza.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, eu sou daqueles que escuta rádio (gosto bastante da FM Cultura aqui de Teresina, e também da MPBfm e da Inconfidência, que escuto via internet). O rádio me dá surpresas boas: aquela canção antiga, já esquecida; aquela canção nova, lindíssima, candidata a obra-prima, clássico.

O que me impressiona no que escuto (rádio, TV, internet, amigos) e também na sua crônica é a grande quantidade de gente fazendo boa música. E ainda tem gente, e nós mesmos às vezes, que se impacienta com o mundo, que se pessimiza. Como pode o mundo não estar melhorando com tanta gente fazendo boa música?! O mundo vai se acabar em música, dissolvido em sons, e nós vamos todos subir, cantando e tocando, pro céu. :)