terça-feira, 4 de março de 2008

TROFÉU AUTENTICIDADE -- Paula Pimenta

Ok, eu confesso. Eu vejo Big Brother. Todos os anos. Todos os dias. E não é só isso. Eu voto. E me envolvo tanto que chego a sonhar que sou amiga dos participantes.

Muitos, ao lerem isso, vão me olhar torto, afinal o programa – para os que não assistem – nada mais é do que um amontoado de gente com pouco cérebro e muita bunda. Eu também tinha essa opinião, antes de começar a assistir, só por curiosidade, lá pela terceira edição (já estamos na oitava). Mas o programa está longe de ser só isso. É uma novela da vida real. Eu, que não gosto de novelas fictícias, não perco um capítulo dessa, porque sei que o que eles fazem lá dentro não vai acabar depois dos três meses que dura o programa, e sim repercutir pela vida deles afora.

Assim como no futebol, o BBB é um jogo que precisa de times para ser interessante. E é na escolha do lado da torcida que vamos ficar é que está a graça. Geralmente, bem nos primeiros dias já sabemos de quais participantes gostamos e com quem não vamos com a cara. Isso pode mudar no decorrer do programa, através das atitudes das pessoas em determinadas situações, mas geralmente o que nos leva a simpatizar ou antipatizar com alguém são dois fatores: identificação e integridade.

Todos os anos é assim. Escolho meus preferidos, que geralmente são os que eu mais me identifico ou que tem o coração mais puro, e vou torcendo por eles até o final. E, geralmente, são os mesmos que todo mundo gosta, acho que são poucas as pessoas que torcem para o mal vencer. Este ano, porém, meus favoritos foram embora bem no começo. E a única que ainda sobrevive, está em último lugar nas enquetes de popularidade. Não sei se sou eu que estou cega, ou se as pessoas que não estão enxergando o que eu vejo.

O primeiro que gostei foi o Rafael Galego. Muito inteligente, muito bonito, muito na dele. E ainda por cima com um sotaque fofo. O povo não entendeu. Confundiram individualidade com indiferença. E botaram o menino pra fora, por ele não ter implorado por sobrevivência. Eu também não imploraria, tenho meu orgulho. Sairia como ele, de cabeça erguida, e aparentando não estar nem aí, dando graças a Deus por não ter que me misturar mais com aquela gentalha (como já diria a dona Florinda do programa do Chaves).

Tive então que escolher outro pra torcer, porque jogo nenhum tem graça se a gente não torcer por alguém. Pesquisei bem e mirei no Fernando. Juro que não escolhi pela beleza, mas pelos princípios. Acompanhei as histórias que ele contou sobre a vida dele, os comentários sobre o tempo em que fez faculdade, a vontade de prestar concurso público. O cérebro dele não era inversamente proporcional aos (muitos) músculos. Entendi também cada uma das reclamações que ele fazia para a Natália, percebia o ciúme dele ao vê-la dançando com os outros meninos e entendia a sua fraqueza ao fazer as pazes com ela várias e várias vezes. Ele gostava dela, sinceramente, e acabava perdoando. Duvido que alguém, no lugar dele, fizesse diferente. Já é difícil esquecer quem gostamos, sem ter que ver a pessoa o tempo todo. Agora, tenta não ter recaída tendo que esbarrar a cada minuto. A carne é fraca. Mas o povo também não quis saber. Bye, bye, Fernando e lá fui eu escolher o próximo, aliás, a próxima, e é com ela que eu vou até o final.

Eu gosto da Thatiana. Apesar da gritaria, apesar da confissão de já ter beijado meninos e meninas, apesar dela ser teatral, apesar de não ser miss de qualquer lugar. A Thati (como ela gosta de ser chamada) é gente como a gente. É a mais normal lá dentro. Ela nunca fez fotos sensuais, não participou de nenhum programa de TV em outro país, não é amiga do irmão da mulher do Boninho, não mora no Rio ou em SP, e não fica o tempo todo preocupada se a sombra combina com a cor do biquíni. A Thati veste roupas confortáveis e não as que a fazem parecer sexy. Ela faz faculdade, dá aula de inglês, tem uma melhor amiga, mora em Brasília, vive com os pais, tem um cocker spaniel. É uma menina comum. Pode sim, ser escandalosa e abusar das caras, bocas e frases feitas, mas ela só tem 21 anos. Ainda pode (e deve) errar muito, até descobrir quem ela quer ser na vida. Ela não está ali pra parecer o que não é. Não quer pensar no futuro e sim viver cada momento. Brinca, grita, ri, chora, namora, se diverte. E acredito que aqui do lado de fora ela seja exatamente igual.

Por isso, eu torço por ela. Ela pode sair na semana que vem, mas pra mim é a ganhadora desse ano, a que merece o troféu autenticidade. A Thati não está nem aí para o que pensam dela e só quer se divertir. Ela pode não ganhar o milhão, mas pelo menos não precisa dele para ser feliz.


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3 comentários:

Anônimo disse...

Filinha, bravo pela crônica mas foi para mim, Beijos, Beré.

Anônimo disse...

putz, me decepcionei contigo.
Discordo totalmente. O programa é futil. As edições são parciais.
Lixo total.
Sorry, não lerei mais sdua coluna.

Paula Pimenta disse...

Não faço a menor questão de que uma pessoa que não tem nem coragem para assinar o próprio nome leia a minha "coluna". Muito menos pessoas preconceituosas, que acham que apenas programas intelectuais são bons. O mundo também é feito de coisas fúteis e por várias vezes elas são úteis e até necessárias para tirar um pouco o peso da vida.

Ah, em um ponto concordo com você. As edições são parciais, sim. Tenho payperview e vejo nitidamente como a Globo favorece quem ela quer.