sábado, 8 de março de 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER [Monica Bonfim]


Oi, prazer, meu nome é Mônica, brasileira, advogada, solteira aos 47 anos e feliz, feliz. Sou um membro útil da sociedade, respeitada no meu meio de trabalho, uma boa profissional, amiga dos meus amigos e até de quem tenta me prejudicar. Além disso, para melhorar a coisa, sou bonita e razoavelmente inteligente e culta.

Porque abri uma crônica sobre o Dia Internacional da Mulher com tal declaração? Porque é importante, muito importante.

Há pouco tempo atrás deparei-me com um sujeito que não consegue entender meu lugar no mundo: mulher que não casa e não tem marido, para ele é uma frustrada sem valor. Mulher trabalha é para ajudar o marido, desde que não atrapalhe no andamento da casa e do cuidado com os filhos. Mulher solteira que trabalha é porque é solteira e está “passando o tempo e se sustentando” enquanto o marido não chega.

Caiu de páraquedas na minha vida fazendo promessas de casamento, de vida a dois. Considerou ele que prometendo tais coisas — que diga-se a bem da verdade, tinha intenção de cumprir — comprava minha eterna submissão às suas vontades. Sob sua ótica retrógrada e distorcida, uma mulher de 47 anos solteira ser-lhe-ia eternamente grata por ele tê-la salvado do apodo de “solteirona”.

Hoje é Dia Internacional da Mulher e, embora eu não seja muito de datas e comemorações, vou dizer a vocês que esse ano eu vou comemorar: comemorar que já temos escolhas, que já podemos escolher... PODEMOS ESCOLHER! Podemos ser donas de casa, se quisermos; trabalhadoras, se quisermos; putas, se quisermos; oprimidas, se quisermos; dondocas, se quisermos. E aquelas que não podem ainda escolher, já são alvo de atenção, por não terem escolhas. Até o silêncio, hoje já faz algum barulho.

Já há lugares e meios onde um indivíduo que pensa o que pensou o sujeito do começo do texto não é sequer levado a sério. Onde a atitude dele é considerada um desrespeito tão grande que ele é considerado doente e desequilibrado.

Hoje é Dia Internacional da Mulher. Meu nome é Mônica, sou solteira, advogada, tenho 47 anos e sou feliz, feliz. Fechei ontem dois acordos complexos, que advogados homens tentaram por anos e não conseguiram; meus amigos me ligaram para ir jantar fora; estou em pé sobre meus próprios pés e feliz... porque posso escolher.

P.S. O sujeito? FALA SÉRIO!!! Ainda está pensando nele?

Imagens: Lawyers, Moodboard/Corbis; Woman in Food Preparation Training Facility, William Taufic; Woman Washing her Face, Moodboard/Corbis

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6 comentários:

albir disse...

Nessa sua vitória, Dra., não há sucumbentes. Ganhamos todos: os seus leitores, os seus clientes, os seus amigos, a justiça brasileira. E até aquele sujeito lá atrás ganhou - uma lição!
Parabéns!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Monica, fiquei pensando na palavra "acordo": acordar, afinar as cordas do coração. Desejo que um dia você faça acordos simples até com aquele homem que tinha a intenção de cumprir.

Cláudia Mello disse...

Mônica...
Adorei!
O mais incrível é que ainda tem gente que, realmente, pensa assim. Incrível que muitas dessas pessoas sejam mulheres, que têm sua auto-estima lá embaixo por não terem um "marido para mostrar para as amigas".
Relacionamento não é isso. Não é obrigação e nem símbolo de status, é algo que deve acontecer naturalmente, quando há amor e vontade de criar uma vida em comum. As pessoas costumam namorar e casar pelos mais variados motivos, menos os que fazem sentido...rs
grande beijo

Debora Bottcher disse...

Valha-me, Monica! :) Homens assim não têm mais espaço nesse mundo. Essa mentalidade retrógrada não cabe mais nem mesmo em sociedades que cultivam valores ultrapassados - até nelas, as mulheres, mesmo as que têm que ser submissas pra não morrer, clamam por um pouco mais de respeito, ainda que se curvem.
Mas sim, Claudia: na contrapartida, existem mulheres que ainda têm medo de suas próprias capacidades de gerir a própria vida; a essas, o casamento é mesmo uma opção por inúmeros motivos errados - até o amor para essas é secundário.
Beijo, bonitas.

Heloisa Reis disse...

Mônica,
Neste dia especial deu depoimento demonstra como uma mulher batalhadora É uma vencedora!
Isto merece comemoração! Que todas as mulheres do mundo recebam um pouco dessa sua força e determinação! Parabéns , menina!
Beijo
Heloisa

Carla Cintia disse...

Fala, Moniquinha!

Mandou superbem. É esta a palavra de ordem: escolha.

beijo,

Carla