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O SONHO >> Fred Fogaça


Hoje sonhei com uma casa grande, mas que não se via o teto. Quando levantava os braços encontrava as mãos numas gavetas, de onde se tiravam muitas coisas.

Sonhei com uma casa que, apesar de minha, moravam também os antigos donos e nenhum incomodo foi criado. Moravam na casa os donos que desistiram de ter, mas não de estar. 

Moravam ali essas pessoas complacentes que tinham compreendido o que há e me diziam: aqui tem algo que talvez precise. Eu não soube o que era. Mas me confortei com a empatia.

Minha moradia onírica tratou de se adequar a realidade cruel desse teto baixo sob o qual eu vivo. Ela escondia coisas que não saberia dizer; e tinha cômodos que não sei lembrar.

O sonho tinha realidades que não me apetece satisfazer.


Comentários

Nadia Coldebella disse…
Sonhos são interessantíssimos para quem escreve! Geralmente eles são cheios de significados implícitos, mas que na verdade podem ser bem brutais. O fato é que se a gente não olha pra eles, eles voltam e voltam e voltam, sempre com nova roupagem, até que o obvio exploda na nossa cara.
Bem corajoso da sua parte trazer pra gente algo tão profundo.
Sandra Modesto disse…
Sonhos são muito significativos. Trazem algo implícito. A gente não entende ao acordar. Mas ao analisar as imagens, há sempre algo revelador. Parabéns pelo texto sonhado.
Zoraya Cesar disse…
Príncipe, até seus sonhos têm entrelinhas mágicas. Fora a beleza da escrita, a poesia aqui e ali. Estou cada vez mais fã.