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SUSTO >> Whisner Fraga

a menina recolhe o susto numa redoma de palmas,

um medo renitente, cópia de nosso medo,

ela calça a sandália e diz que está pronta,

a menina antes quer interfonar à amiga,

pode levar a amiga?,

ela quer a presença igual, a segurança,

a menina quer saber se vai ter alguma coisa,

pede desculpas,

como se esqueceu de passar o repelente?,

surto, o que é surto?,

precisamos sair, menina, não somos páreo para o tempo,

as pernas da menina estão salpicadas de gotas vermelhas e ordeno que não coce,

a menina e a amiga da menina estão de mãos dadas

e vamos ao mercado.

Comentários

Carla Dias disse…
Cada cena que você descreve, assim, nesse misto de realidade crua e poesia deslumbrante, chega como lembrete de que a vida não é uma coisa só, como tentamos, insistentemente, estabelecer. Lindo que só, Whisner.