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HISTÓRIAS>>Analu Faria

Uma das minhas grandes curiosidades é saber como as pessoas me veem. Nunca vou saber completamente, é claro, mas queria que elas me vissem não como um corte temporal de mulher, baixinha, loira, servidora pública, fã de livros. Mas como alguém que já morou fora, se lascou, amou, foi feliz, terminou com aquele namorado, levou um pé na bunda daquele outro, luta contra a ansiedade, perdeu o irmão num acidente de carro, fez teatro e dança contemporânea, é vegetariana, quer ter um filho adotivo, brigou com a mãe, já foi gorda, brigou com o pai, perdeu a avó que tinha Alzheimer, sonha em visitar uma praia da Grécia, descobriu o sexo no meio da adolescência, morre de medo de ficar sozinha, tinha medo do escuro quando criança…

Hoje, minhas amigas mais “chegadas” no trabalho são totalmente diferentes de mim. Fico me perguntando por que eu acabo me tornando amiga de gente que não tem a minha idade, não mora perto, não tem os mesmos gostos que eu. Será que é porque essas pessoas enxergam o meu movimento e não meu eu estático?

Acho que sim. Da mesma forma, enxergo as quatro mulheres como as histórias que viveram e podem viver no futuro. Não que eu saiba todas as histórias dessas amigas. Não é preciso saber das histórias de alguém para se identificar com esse alguém. É preciso saber que o sorriso aberto, a cara de dúvida, o olhar malicioso são expressões de quem viveu e vive de forma a não se fechar para o mundo, de forma a dizer, a cada piada e a cada confissão: divida-se em mim, porque eu também sou feita de histórias.

Comentários

Kerolleyn disse…
Que lindo texto! <3
Mas saiba que nós enxergamos VOCÊ! rsrsrs
Carla Dias disse…
Pois é, Analu... Quando compreendemos que há um universo dentro de cada um de nós, bom, dá curiosidade e um pouco de receio de tentar conhecer alguns. Mas acredito que todos nós gostaríamos de ser vistos de uma maneira diferente, mas muito parecida com a pessoa que julgamos ser. Beijo!
Dá um bom projeto, Analu: "Como você me vê?" :)

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