terça-feira, 26 de abril de 2016

OS PINGOS E OS "IS" >> Clara Braga

Como de costume, ela acordou por volta das 6h com seu filho chamando.

Levantou, deu comida pro filho, deu banho, pegou os brinquedos dele e começaram a brincar.

Depois de um tempo foi olhar seu celular e conferir as redes sociais para ver o que estava rolando, e foi nesse momento que ela deu de cara com a notícia que deu o que falar: a bela recatada e do lar vice-primeira-dama. Ficou inconformada com a notícia, foi atrás daquelas fotos do último fim de semana, no qual ela saiu com as amigas para dançar usando aquele vestido justo e acima do joelho, depois procurou aquela outra na qual ela e outras duas amigas estão tomando cerveja em uma mesa de bar e usando um belo batom vermelho e postou com a legenda mais usada do dia: belas, recatadas e do lar.

Não tinha mais muito tempo para procurar outras fotos, tinha que terminar de arrumar a casa, passar roupa, fazer o almoço, dar almoço pro filho, vestir sua roupa até o joelho, deixar o filho com a avó e ir trabalhar.

Nesse momento, se sentindo a própria recatada e do lar, ela entendeu o que parecia ser óbvio mas não era: o problema não é ser bela, recatada, do lar, do bar, da noite ou de qualquer outro lugar. O problema é ser enquadrada em um só padrão e só esse padrão ser considerado bom, faça qualquer coisa fora dele então você não é boa o suficiente.

Para uns parece besteira, para outros é imperdoável, há ainda quem diga que é perda de tempo, mas no final não é difícil de entender, a ideia é simples: ser feliz sendo o que quiser, até bela, recatada e do lar.

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2 comentários:

Conceicao Belo disse...

Parabéns Clarinha, mais uma crônica muito bem escrita. Beijo.

Douglas Loureiro disse...

Muito bom!