sexta-feira, 4 de março de 2016

VOO >> Paulo Meireles Barguil


Richard Bach relata, em Fernão Capelo Gaivota, obra adaptada para o cinema, as peripécias de uma gaivota que não queria ser igual às demais.

Por ser uma obra de arte, qualquer tentativa de descrevê-la é insuficiente, motivo pelo qual a única atitude que avalio sensata é sugerir a degustação, seja com letras, seja com imagens e sons. 

Foi em Floriano, há 3 décadas, em pleno Carnaval, que meu primo Joaquim me convidou para assistir ao filme.

Da época, pouco me lembro dos diálogos, e, em medida inferior, da compreensão que tive dos mesmos.

Uma imagem marcante é ela andando sozinha na neve...

Tive a oportunidade de revê-lo algumas vezes.

É sempre impactante.

Mais ainda, tentar revivê-lo.
  

A nossa porção animal nos impele, primariamente, à satisfação carnal em três modalidades: alimento, descanso e sexo.

Ultrapassar essa parcela e se relacionar, numa perspectiva cuidadora,  com as variadas manifestações da natureza, incorporando aspectos do humano, é um grande desafio.

Tornar-se um doador feliz é surreal.

Uma adaptação do quadro de Magritte com esse nome adornou o hall do apartamento em que morei durante quinze anos.

Cupins, aos poucos, devastaram a moldura e a tela.

Tenho esperança de que o seu título se torne realidade antes da minha próxima viagem, pois seria terrível constatar que insetos devoraram algo imaterial.
  
 


[Pinturas de René François Ghislain Magritte (1898-1967):
A Promessa (1966)
O Doador Feliz (1966)
O Retorno (1940)]

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