terça-feira, 15 de março de 2016

ACABOU O AMOR? >> Clara Braga

Ter ciúmes faz parte de amar?

Amar é sofrer independente do amor ser correspondido ou platônico?

Amor e ódio são sentimentos próximos ou opostos?

A paixão acaba quando o amor começa, como se a paixão fosse uma etapa para o amor?

Amar é um sentimento exclusivo de uma pessoa para outra ou é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?

O amor está mais para a tranquilidade da rotina ou para borboletas no estômago?

Existe amor eterno ou só é mesmo eterno enquanto dura?

Só é feliz quem ama?

Você só conhece mesmo a pessoa quando deixa de amar?

Quando a questão é o amor, muitas são as perguntas e poucas as respostas. Mas o que não falta são tentativas de definir esse tal desse amor, nunca vi, as pessoas tem necessidade de explicar tudo, deve ser um jeito de se sentirem no controle, como se não entender algo fosse estar muito vulnerável.

Essa semana, Brasília parou por causa de um crime que chocou todo mundo. Um jovem de 19 anos assassinou sua ex-namorada por não aceitar o término do relacionamento. Ele assumiu o crime, ganhou o direito de ter uma coletiva de imprensa, como se fosse um Michael Jackson da vida, explicou para quem quisesse copiar o passo a passo do crime sem se abalar, chegando até a rir em determinados momentos. Em outro, assumiu que sim, teve vontade de fazer sexo com o cadáver da ex -namorada, mas desistiu, como se tudo que ele já havia feito não fosse o bastante.

O caso vem sendo noticiado repetidas vezes, as pessoas comentam, expõem suas opiniões, prestam suas homenagens, oferecem apoio à família e se perguntam, onde esse mundo vai parar? Porém, uma reportagem específica me chamou a atenção, já nem me lembro onde foi que eu li, mas sei que o jornalista teve a ousadia de dizer que o rapaz matou por amor.

Me desculpem a intromissão, não sou poeta nem estudiosa de linguística para tentar definir palavras, mas entendo um pouco de atitudes e afirmo sem medo que ninguém mata por amor, a não ser simbolicamente.

Como eu disse antes, dos que tentaram definir o amor, poucos foram bem sucedidos, afinal amor não é pra explicar, amor é para sentir e demonstrar. Mas se tem uma coisa que é fácil, é definir o que não é amor, e crime nenhum pode ser considerado amor.

O ato desse rapaz tem nome, chama-se feminicídio, e essa palavra sim deve ser definida, debatida, combatida e tudo mais que for possível. Não cometam o crime de comparar algo tão grave com algo tão belo, um psicopata desses não tem amor, muito pelo contrário, atos como esse só acontecem quando a ausência do amor é tão grande que só resta o egoísmo, isso para não usar outras palavras mais pesadas.

Onde há amor não há qualquer tipo de violência, onde há amor só existe espaço para o respeito.

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Um comentário:

Conceicao Belo disse...

Maravilhosa crônica, Clarinha! Parabéns!
Cada vez mais se superado!
Gosto do que o Pe.Fábio de Melo disse sobre o amor:"...Amar alguém é viver o exercício constante, de não querer fazer do outro o que a gente gostaria que ele fosse. A experiência de amar e ser amado é acima de tudo a experiência do respeito..."
Beijo
Ceiça