quarta-feira, 16 de março de 2016

GAROTOS >> Carla Dias >>


Assisti a um filme e gostei. Tudo bem que, neste momento, talvez você esteja interessado em ler sobre outros assuntos. Mas é que realmente gostei do filme, e estou tão zonza com os assuntos que estão em destaque, que acho que melhor mesmo é falar sobre o filme.

Vou começar protestando... Isso mesmo! Protestando, mais uma vez, pelo título brasileiro. As pessoas assistem ao filme antes de dar a eles títulos ou se baseiam no trailer e na sinopse? Bom, considerando que até mesmo a classificação anda capenga — o que já assisti de comédia que não é comédia —, Histórias de Amor (Liberal Arts/2012) pode até ter história de amor, mas não é o romance o tema principal, e sim o condutor da grande questão: a passagem do tempo. A arte de envelhecer. A faculdade como cenário.

Jesse Fisher (Josh Radnor) tem trinta e cinco anos e uma vida bem pacata. São os livros, pelos quais é apaixonado, que dão certa cor a sua realidade. Quando seu professor da época da faculdade, Peter Hoberg (Richard Jenkins), o convida para um jantar de aposentadoria, Fisher retorna ao local onde ele sonhou um futuro bem diferente do que se tornou seu presente.


Após mais de trinta anos vivendo no mesmo lugar, e à mercê das repetições de uma vida acadêmica, Hoberg se sente aterrorizado com a possibilidade de não saber viver outra coisa senão o papel de professor daquela faculdade. Em determinado momento, ele diz a Fischer que se sente como se tivesse dezenove anos, ainda que isso fosse desmentido a cada vez que se olhasse no espelho.

Sim, Fisher conhece uma garota, uma jovem estudante de dezenove anos, Lizzy (Elizabeth Olsen). Ela é madura para sua idade, inteligente e perspicaz, e faz com que ele se sinta mais vivo do que nunca. Ao mesmo tempo, trata-se de um homem de trinta e cinco anos e uma jovem de dezenove. Não são questões sociais que o levam a pensar que, por mais interessante que ela seja, é um risco muito grande se relacionar com ela. Quando ele se comporta como um adolescente, contabilizando diferença de idade entre eles, de forma que ela pareça fazer sentido, ele se dá conta de que a diferença é outra. Lizzy tem um grande repertório de qualidades sedutoras, mas ainda é uma jovem que não viveu o que ele já viveu.

Outros dois personagens tornam o filme ainda mais interessante. Fisher conhece Dean (John Magaro) nessa volta à faculdade. Ele se interessa pelo estudante por conta de ele gostar de um livro que Fisher adora. Os breves encontros entre eles abordam a vida na teoria e na prática. Ambos são intelectuais, o rapaz é super inteligente. Mas ambos, adulto e jovem, vivem mais por meio dos livros do que vivendo.

O excesso, definitivamente, não é bom.

O segundo personagem se tornou um dos meus preferidos. Nat (Zac Efron) vive no campus, mas diz visitar um amigo, então fica por lá, fazendo nada e participando das festas. É um hippie contemporâneo, com diálogos muito bacanas. Efron interpreta Nat muito bem.

Tanto Dean quanto Nat parecem guiar Fischer ao rumo da maturidade. Tenho a impressão que ele via a si nesses garotos.

O filme foi escrito e dirigido por Radnor. É o segundo filme dele. Sei que, como ator, muitos o conhecem por causa da série How I Meet Your Mother. Para mim, que não acompanhei a série, foi a primeira vez que o vi atuando e gostei. Depois, vieram as informações de que ele escreveu e dirigiu o filme, o que me deixou bem satisfeita, que acho Liberal Arts um ótimo filme sobre meninos adultos se descobrindo somente adultos.

Gosto muito de como os livros fazem parte da trama. Também amo livros, Fischer-Radnor!





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3 comentários:

André Luiz Ferrer Domenciano disse...

Títulos "nacionais" também me causam irritação. Ótimo texto Carla Dias!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, duas hipóteses sobre essas traduções de título: 1) Eles colocam algo que pensam que as pessoas (nós) gostariam de ler/ver; 2) Eles têm dois globos cheios de bolinhas, cada bolinha tem uma palavra (história, lenda, caso, encontro, amor, paixão, indomável, último, etc.), eles sorteiam uma palavra de cada globo, juntam as duas, adaptando número e gênero, e, se necessário, colocam um conectivo no meio. A segunda hipótese me anima mais. :)

Carla Dias disse...

Obrigada, André!

Acho que vou ficar a segunda hipótese, Eduardo. ;)