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MEU PRIMEIRO PÓDIO... OPS, PASSOU!
>> Clara Braga

Brasília, domingo, dia 13 de março de 2016, para ser mais exata. Não sei dar a hora certa, mas sei que não passava das dez da manhã.

Após uma corrida que acontecia no setor de embaixadas, começou a famosa entrega dos prêmios. Primeiro, como de costume, a premiação dos finalistas gerais, normalmente apelidados de quenianos, mesmo não sendo. Depois, a premiação por faixa etária, ou seja, premiação dos quase mortais.

Quando chegou a premiação da faixa dos 17 aos 29 anos, aconteceu o inesperado. O cara chamou: "Primeiro lugar, Clara Braga, inscrição número 274! Clara Braga? A Clara não está ai gente? Bom, então vamos seguir."

Como podem ver, a história não passa de uma livre interpretação, afinal essa é a história de como eu perdi a medalha do meu primeiro e talvez único pódio. Fui embora feliz, tinha conseguido diminuir dois minutos do meu tempo, estava morta, acabada, assisti à premiação da treinadora da equipe, segundo lugar geral, ou seja, queniana, e fui embora, afinal a única certeza que eu tinha era que, embora tivesse melhorado bastante meu resultado pessoal, eu não tinha tempo para pódio. Aliás, a distância entre o meu tempo para os tempos comuns de premiação era tão considerável que não cheguei nem a olhar o resultado final no site nos dias após a corrida, fui descobrir sobre essa classificação por causa de um colega, que olhou e me avisou.

Não posso negar, tive meu momento de vaidade. Na hora em que ele comentou comigo, fiquei toda feliz, nossa, nem acreditei! Bateu aquela sensação de empoderamento, não me sentia nem uma quase mortal, já estava me sentindo a verdadeira queniana, capaz de mover montanhas. Mas como alegria de pobre dura pouco...

Cheguei em casa e nem pensei duas vezes, fui direto olhar o tal resultado. Esse era um daqueles momentos que você fotografa, manda pro grupo da família no WhatsApp, compartilha no Facebook, emoldura o resultado e prende na parede junto com a medalha. Tirando a parte de emoldurar o resultado, o resto aconteceu, mas acompanhado uma uma longa risada.

É, quando abri o site a crise de riso foi inevitável! O pódio era mais que garantido, afinal a corrida estava tão vazia que na minha faixa etária só tinha eu e mais uma menina inscrita. Eu podia ter feito uma caminhada no lugar da corrida e ainda assim teria o segundo lugar garantido.

Não sei dizer se a minha única concorrente estava lá para receber a medalha dela, mas hoje queria dedicar essa crônica a ela, essa desconhecida que assim como eu não teve uma classificação geral muito boa mas, graças a essa corrida supervazia, nós tivemos nossa chance do gostinho do pódio.

Quer dizer, eu quase senti o gostinho do pódio, mas fui embora antes. Se eu conhecesse a menina, com certeza iria falar com ela para rirmos juntas da situação, e falaria para ela não desistir, continuar treinando, afinal o que vale são os resultados pessoais, e esses estão melhorando. Mas como não a conheço, vou deixar o meu lado malvada falar um pouco mais alto: das duas, pelo menos não fui a última, ufa!

Comentários

Conceicao Belo disse…
Parabéns, Clarinha!
É isso aí, cultivar o desejo melhorar cada vez mais!
Beijo
Ceiça
Que história, Clara! :)
Parabéns pela melhoria do tempo, pelo pódio e pela crônica. :)

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