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GASTRITE NÍVEL: ENGOLI BRASÍLIA
>> Mariana Scherma

O trabalho não é o que define a gente. Não é só o que define a gente, eu diria. A vida fora da empresa também conta. Então, por que estresse com o emprego? Por que a gente traz tanto problema pra casa e fica mais esgotado ainda do que deveria? Que eu saiba ninguém ganha adicional por estresse. Pelas trezentas vezes que você sentiu uma gastrite parecida com a sensação de engolir o caos político de Brasília, eu sugiro: ligue o foda-se.

Esse botão específico do foda-se não é o do trabalhe mal, faça tudo meia boca, entre nas suas redes sociais enquanto relatórios o esperam, não, isso não. Fazer o trabalho bem feito é pré-requisito pra dormir bem, pra contar piada na mesa de amigos e levar a vida mais leve. Faça seu trabalho bem feito durante o período em que você é pago (ou mal pago, eita crise) pra isso. Não desconte suas frustrações nos colegas, não faça um boneco de vudu do chefe (ou faça, só não poste no Instagram). Trabalhe de uma forma que, ao fim do dia, você pense: fiz meu melhor, agora vou viver a parte 2, 3 ou 4 da minha vida.

Esse conselho é pra mim também. A gente não consegue mudar a política de uma empresa. Nem a cabeça do boss. A gente tem que fazer mais do que consegue em horário de expediente. Ok, é duro. Mas bateu o ponto, guarde seu crachá e vá ser todas as suas outras facetas. Problema de trabalho fica no escritório. Ouviu o que não deveria? Fale. Ou escreva, às vezes sai mais coeso. Não engula. A cada sapo que a gente engole, nos afundamos um pouco mais no brejo que pode virar nossa insatisfação.

A gente vai ter muito motivo pra ter cabelo branco. Mas não deixe que esses motivos sejam seu jeito workaholic de encarar o dia a dia. Estresse deve ser proporcional ao seu cargo and salário. Se você não é chefe, vamos rir mais. Ganhar pouco, afinal, precisa ter seus benefícios, oras.

Comentários

Mariana, até eu, que trabalho a maior parte do tempo em casa, às vezes sinto que estou "levando trabalho pra casa". :) Grato pelo lembrete.

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