quinta-feira, 25 de setembro de 2014

QUINTA >> Fernanda Pinho



Se há um fato na minha vida que me leva a acreditar na lei da atração é o de que eu sempre adorei quinta-feira e, provavelmente por isso, sempre atraí coisas boas para este dia. Eu nasci num domingo, é verdade. Mas meus pais se casaram numa quinta e, para mim, este sim foi meu verdadeiro Big Bang. Mas por que quinta e não sábado, que é um dia de folga e quando acontece os melhores eventos? Ou por que não sexta, este dia que, em tempos de redes sociais, é amada como se isso fosse um mandamento bíblico? Talvez uma explicação seja essa: por que amar um dia que todo mundo já ama? Mas tem mais.

Desde criança eu já curtia muito quinta-feira, porque na sexta era o dia oficial da faxina na minha casa. O que significava basicamente que na quinta podia tudo. Deixar farelo de biscoito na cama, não catar as roupas espalhadas no quarto, deixar o prato na mesa depois das refeições e outras pequenas contravenções domésticas.

Na escola, comecei a ter certeza de que existia uma vibe especial ao redor da quinta-feira. Me lembro exatamente que durante toda a minha vida escolar, as aulas mais legais eram na quinta: português, literatura, história, artes, espanhol. Física, química, matemática e outros absurdos sempre foi departamento de segunda e quarta. Tudo isso, é claro, porque o poder da minha mente fazia o quadro de horários da minha escola se organizar dessa forma. 

O poder da minha mente agiu, inclusive, neste site que vocês acessam agora, para o qual eu fui convidada, quatro anos atrás, para escrever sempre às quintas. Não fui eu quem escolhi o dia. Juro. Mas se a mente não atua, eu dou meu jeitinho. Dentro da minha organização de trabalho, por exemplo, procuro deixar as atividades que mais me dão prazer para a quinta. Porque as quintas sempre foram legais comigo e eu devo isso a elas.

E quando o feriado cai na quinta? A gente emenda e vira miniférias. E se não der para emendar, não tem problema, porque o dia útil no meio disso é uma sexta e como todo mundo tende a ser feliz na sexta, é um dia fácil de levar. E pelo mesmo motivo, sempre considerei que quinta-feira já é um dia permitido para ficar acordada até mais tarde. São apenas 24 horas nos separando do fim de semana, afinal. E quando tem festa na sexta? Desde a quinta já começo a ser feliz, no melhor estilo Pequeno Príncipe. 

Se for quinta-feira de setembro, melhor ainda. Sim, não é possível que não tenham percebido ainda, mas sou dessas capaz de amar um dia da semana e também um mês inteiro. E conforme eu já contei em outras ocasiões, eu realmente me sinto diferente em setembro. Como se minha vida fosse um musical. Nas quintas de setembro, então, eu canto, danço e flutuo. E quando acontece essa conjunção de fatores de ser quinta-feira, setembro, meu dia de cronicar e meu aniversário, eu transbordo. É tanta coisa boa que não posso guardar só para mim. Hoje é o meu dia de desejar a cada um de vocês: felicidades. 


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Um comentário:

sergio geia disse...

Deliciosa, Fernanda. A quinta, a primavera, setembro, a crônica... Parabéns!